Símbolos da Páscoa têm raízes antigas e significados que vão além da tradição cristã
A Páscoa é uma das celebrações mais importantes do Cristianismo, celebrada há cerca de 1.700 anos, a Páscoa é o pilar central do calendário cristão, simbolizando a ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, para muitos, a conexão entre a mensagem religiosa e figuras como o coelho ou a distribuição de ovos coloridos pode parecer um enigma. A história por trás desses costumes revela uma fusão fascinante entre fé, adaptação cultural e tradições de povos antigos que moldaram a forma como festejamos hoje.
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Celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte, entre 22 de março e 25 de abril, a Páscoa foi oficialmente instituída no ano 325, durante o Concílio de Niceia. A data marca a ressurreição de Jesus Cristo, cuja mensagem central, segundo a tradição cristã, é a vitória da vida sobre a morte.
Ovo de Páscoa: símbolo antigo de vida e renovação
Muito antes da tradição cristã, o ovo já era considerado um símbolo de vida nova. Historiadores apontam que povos como egípcios, persas e tribos germânicas costumavam presentear ovos durante festividades ligadas à primavera.
Com o passar do tempo, esse costume foi incorporado ao Cristianismo, passando a representar a ressurreição de Cristo. Nos primeiros séculos da religião, era comum pintar ovos de vermelho, simbolizando o sangue de Jesus e o amor pela humanidade, prática que ainda é mantida em algumas igrejas ortodoxas.
Além disso, durante a Idade Média, ovos eram proibidos durante a Quaresma. Com o fim do período, voltavam a ser consumidos e também presenteados, o que reforçou ainda mais sua associação com a Páscoa. A tradição de decorar ovos também servia para diferenciá-los entre os que haviam sido abençoados e os que não.
Coelho da Páscoa: tradição que surgiu na Europa
Diferente dos ovos, o coelho não possui ligação direta com a narrativa bíblica. Sua associação com a Páscoa surgiu na Europa, especialmente na Alemanha, entre os séculos 17 e 19.
A primeira menção ao coelho como “portador de ovos” aparece no século 17. Posteriormente, a figura ganhou popularidade no século 19, impulsionada principalmente pelo setor de confeitaria. Segundo estudiosos de costumes, a tradição teria origem em comunidades protestantes.
A explicação mais difundida é que, como os católicos já associavam os ovos ao fim da Quaresma, os protestantes criaram a figura do coelho para justificar a abundância desses alimentos durante a Páscoa. O animal, conhecido por sua alta capacidade de reprodução, já era símbolo de fertilidade e também associado à chegada da primavera na Europa.
Tradições e adaptações ao longo do tempo
Com o passar dos séculos, novas práticas foram incorporadas à celebração. Entre elas, a busca por ovos escondidos em jardins ou dentro de casa, uma atividade voltada especialmente para crianças.
Uma das lendas mais conhecidas conta que uma mulher pobre teria colorido ovos e escondido para seus filhos. Quando as crianças encontraram o presente, viram um coelho passando e associaram o animal ao gesto, dando origem à história popular.
No Brasil, o coelho da Páscoa só se popularizou no início do século 20, trazido por imigrantes alemães que se estabeleceram na região Sul entre 1913 e 1920. Desde então, a tradição se espalhou pelo país, sendo hoje parte importante das comemorações.
Páscoa e suas influências religiosas
Além do Cristianismo, a Páscoa também incorpora elementos do Pessach, celebração judaica que relembra a libertação do povo hebreu do Egito, incluindo a travessia do Mar Vermelho.
Apesar das diferentes influências culturais e adaptações ao longo da história, a essência da Páscoa permanece ligada à ideia de renovação, esperança e recomeço. Ao longo dos séculos, a data se consolidou não apenas como uma celebração religiosa, mas também como um momento de encontro familiar e de manutenção de tradições que atravessam gerações.
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