A relação entre Trump e Meloni voltou ao centro das atenções após um novo episódio de atrito entre os dois líderes. A Itália reagiu de forma cautelosa nesta segunda-feira (6) às recentes provocações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, às vésperas de uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na Turquia.
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A nova manifestação de Trump ocorreu por meio da rede Truth Social, onde publicou uma fotografia de Meloni olhando para ele acompanhada da legenda “ordem de restrição necessária”. A postagem reacendeu o desgaste político iniciado durante a reunião do G7, realizada no mês passado em Evian, na França.
Novo episódio amplia desgaste entre Trump e Meloni
O clima entre os dois líderes já vinha deteriorado desde o encontro do G7. Na ocasião, Trump afirmou em entrevista a uma emissora italiana que Meloni teria “implorado” para tirar uma fotografia ao seu lado.
A premiê italiana respondeu publicamente, classificando a declaração como uma história inventada. O episódio marcou uma mudança significativa na relação entre ambos, que durante anos foi vista como próxima.
Meloni chegou a ser uma das principais aliadas europeias do presidente norte-americano e foi a única chefe de governo do continente presente na cerimônia de posse de Trump em 2025.
Divergências cresceram ao longo do ano
As divergências se intensificaram nos últimos meses. Meloni criticou Trump após os ataques direcionados ao Papa Leão 14, motivados pelas declarações do pontífice sobre o conflito envolvendo o Irã.
Em outro momento, Trump acusou a premiê italiana de agir por interesses políticos internos ao tentar reconstruir a relação com Washington, depois que o governo da Itália decidiu não apoiar a ação militar dos Estados Unidos contra o Irã.
Na ocasião, Meloni classificou as críticas como ataques constantes e sem provocação.
“Esses ataques constantes e não provocados são insensatos”, afirmou. A premiê também declarou que a amizade política entre ambos não trouxe benefícios à sua imagem e sugeriu que Trump voltasse sua atenção para os próprios índices de popularidade.
Apesar do afastamento, Meloni vinha tentando manter uma posição de interlocutora entre os países europeus e o governo norte-americano.
Governo italiano aposta na preservação da relação bilateral
Após a nova publicação de Trump, integrantes do governo italiano evitaram elevar o tom das críticas e defenderam a continuidade das relações estratégicas entre os dois países.
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou que governos mudam, mas as alianças internacionais devem permanecer.
“As pessoas vêm e vão, mas as relações devem perdurar”, declarou ao canal Sky TG24. Segundo ele, o mais importante é preservar o relacionamento com um aliado considerado fundamental, como os Estados Unidos.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, afirmou acreditar que a parceria transatlântica supera declarações individuais e episódios pontuais.
Meloni, por sua vez, optou por não responder diretamente à nova provocação.
Cúpula da Otan deve colocar líderes frente a frente
O novo atrito ocorre poucos dias antes da cúpula da Otan, prevista para esta semana em Ancara, na Turquia, onde Trump e Meloni deverão participar das discussões ao lado de outros chefes de Estado e de governo.
Antes do encontro, o presidente norte-americano voltou a adotar um discurso crítico em relação aos aliados europeus da aliança militar, reforçando as tensões diplomáticas que vêm marcando sua relação com diversos governos do continente.
Embora o governo italiano tenha evitado transformar o episódio em uma crise institucional, a sequência de declarações evidencia o momento de desgaste entre dois líderes que, até pouco tempo, mantinham uma relação política considerada próxima.
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