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Violência doméstica atinge mulheres de forma recorrente e 2 em cada 3 vítimas já haviam sofrido agressões

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A violência doméstica continua sendo uma realidade marcada pela repetição de agressões contra mulheres em todo o Brasil. Levantamento divulgado no Atlas da Violência revela que, entre as vítimas atendidas pelo sistema público de saúde após episódios de violência dentro de casa, dois terços relataram já ter sido agredidas anteriormente, evidenciando a dificuldade de romper o ciclo de abusos.

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O estudo foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Violência doméstica se repete para a maioria das vítimas

Os dados mostram que as unidades de saúde brasileiras atenderam 186.177 mulheres vítimas de violência doméstica. Desse total, 100,8 mil afirmaram já ter sofrido pelo menos um episódio anterior de agressão, o que representa aproximadamente duas em cada três vítimas atendidas.

Segundo o relatório, a continuidade da violência está frequentemente associada a mecanismos de controle exercidos pelo agressor, que restringem o acesso da vítima a familiares, amigos e redes de apoio, aumentando sua dependência e dificultando o rompimento da relação abusiva.

O documento destaca que muitas mulheres retornam diversas vezes aos serviços de saúde após episódios sucessivos de violência sem que haja uma interrupção efetiva desse ciclo. Em parte dos casos, essa sequência de agressões acaba resultando em feminicídios ou outros homicídios, evidenciando o impacto estrutural da violência de gênero.

“A sustentação desse ciclo frequentemente envolve estratégias de controle e isolamento, por meio das quais o agressor limita o acesso da mulher a redes de apoio, familiares, amigos e serviços, e amplia sua dependência”, aponta o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Homicídios de mulheres apresentam queda, mas números seguem elevados

O Atlas da Violência também aponta que 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024, o equivalente a uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres.

Na comparação com 2023, houve redução de 6,7% no número de homicídios femininos registrados pelo sistema de saúde.

Apesar da diminuição, o levantamento alerta que o cenário permanece preocupante. Desde 2014, primeiro ano da série histórica utilizada no estudo, a taxa de homicídios de mulheres caiu 27,7%, mas os números absolutos continuam elevados.

Entre 2014 e 2024, 46.336 mulheres foram assassinadas no país, demonstrando que a violência letal contra mulheres segue sendo um problema persistente.

O relatório ressalta que a redução observada ao longo da última década representa um avanço, mas ainda está distante de alterar de forma significativa a realidade enfrentada por milhares de brasileiras.

Mulheres negras concentram maior número de vítimas

O levantamento também evidencia as desigualdades raciais relacionadas à violência letal contra mulheres.

Em 2024, 2.457 mulheres negras foram vítimas de homicídio, correspondendo a 67,5% de todos os assassinatos de mulheres registrados no país.

A taxa foi de 4 homicídios para cada 100 mil mulheres negras, enquanto entre mulheres não negras o índice ficou em 2,4 por 100 mil.

Isso significa que a taxa de vitimização entre mulheres negras foi 66,7% superior à observada entre mulheres não negras.

De acordo com o Atlas da Violência, os dados reforçam que mulheres pretas e pardas permanecem como as principais vítimas da violência letal no Brasil, refletindo desigualdades sociais e de gênero que continuam presentes no país.

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