A onça-pintada que teve seu resgate gravado após ser baleada e nadar por várias horas nas proximidades da Praia da Ponta Negra, em Manaus, segue em processo de recuperação e deve ser devolvida à natureza em até 30 dias. As informações são do biólogo e diretor do Zoológico do Tropical Hotel, Nonato Amaral.
Onça se recupera bem
O animal resgatado é um macho de 3 a 4 anos, com peso aproximado de 54kg. De acordo com Nonato, o animal tem apresentado comportamentos normais de uma onça selvagem, o que é um indicativo de que a recuperação clínica tem evoluído bem.
A onça ferida permanece em isolamento, em um ambiente adaptado para evitar ruídos e contato visual com seres humanos. Por isso, a observação de seu comportamento é feita por câmeras instaladas em seu local de contenção.
De acordo com a equipe responsável pela recuperação do animal, evitar contato com qualquer pessoa é parte imprescindível do tratamento. A alimentação é feita de forma discreta, e os profissionais utilizam fragrâncias para mascarar o cheiro humano e evitar a interferência na rotina natural da onça. Além disso, a onça não recebeu nome.
Animal foi baleado
Quando o animal foi resgatado, foi constatado que além da exaustão pelas horas de esforço físico, a onça também tinha ferimentos de bala na região da cabeça. Os disparos foram feitos por uma arma de caça, com dezenas de fragmentos alojados e lesões no olho direito, além de dentes quebrados. Os ferimentos provavelmente foram o motivo que levou a onça a pular no rio, tentando fugir.
Nonato Amaral afirma que as lesões oculares estão melhorando, e que o ferimento não deve comprometer a visão da onça quando estiver totalmente curado.
Resgate
A operação de salvamento envolveu o Batalhão de Polícia Ambiental, o Laboratório de Interações Fauna e Floresta (Laiff/Ufam), a Secretaria de Proteção Animal (Sepet) e ribeirinhos que avistaram a onça tentando atravessar o rio visivelmente exausta.
Na próxima semana, representantes do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), do Ibama, do ICMBio e de outras instituições parceiras devem se reunir para definir o ponto exato da soltura, previsto para ocorrer na margem direita do Rio Negro — a mesma área onde o felino foi localizado.
Após o retorno à natureza, a onça será monitorada por meio de um colar eletrônico via satélite durante os primeiros dois anos, para garantir que sua readaptação na natureza aconteça da melhor forma possível.
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