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Ausência de Donald Trump faz políticos dos EUA ganharem destaque na COP30

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A participação dos EUA na COP30, a Conferência do Clima da ONU em Belém, será marcada por uma ausência notável: a equipe de alto nível do governo federal em Washington. A decisão, embora esperada de uma administração que se retirou do Acordo de Paris e questiona publicamente a mudança climática, abre espaço para um movimento robusto de líderes subnacionais, como governadores e prefeitos, determinados a mostrar que os Estados Unidos continuam comprometidos com a ação climática.

Mais de 100 líderes subnacionais, representando cerca de dois terços da população e quase três quartos da economia dos EUA, estão em Belém para as negociações que ocorrem de 10 a 21 de novembro.

‘Os Estados Unidos não se retiraram’: a mensagem dos líderes locais

Jay Inslee, ex-governador democrata de Washington, é uma das vozes desse movimento. “É uma longa viagem de Seattle ao Rio… mas é importante que o resto do mundo não desista dos Estados Unidos”, disse Inslee à DW, enquanto participava de eventos preparatórios para a COP30.

Inslee é membro fundador da Aliança Climática dos EUA, uma coalizão bipartidária de 23 estados e um território, formada em 2017. “Os Estados Unidos não se retiraram do Acordo de Paris. Uma parte dos Estados Unidos se retirou, e essa parte é o governo federal”, afirmou.

O objetivo da delegação é claro: combater a percepção de que o progresso parou por causa da postura da Casa Branca. “Essa é uma mensagem muito importante… para dar-lhes confiança para seguir em frente”, completou Inslee.

Obstrução federal não impede otimismo dos EUA na COP30

Embora a delegação de estados esteja em Belém, observadores temem que o governo federal possa atrapalhar as negociações à distância. Recentemente, a pressão de Washington foi associada ao congelamento de um imposto mundial sobre carbono no transporte marítimo e ao descarrilamento de um tratado da ONU sobre poluição por plásticos.

Maha Rafi Atal, professora de economia política da Universidade de Glasgow, explicou que o governo Trump tem usado sua política tarifária para pressionar outros países. “O sinal enviado… é que os EUA podem penalizar, em termos comerciais, os países que tomarem medidas climáticas mais rigorosas”, disse Atal. Segundo ela, isso pode desencorajar outras nações a priorizar a redução de emissões.

Apesar disso, a delegação subnacional mantém o foco. “Nossa delegação está focada no que sabemos com certeza: líderes locais e empresas… estão pressionando por energia limpa”, disse Gina McCarthy, copresidente da America Is All In (AIAI), outra grande coalizão de ação climática presente no evento.

‘A mudança acontece de baixo para cima’: o poder da ação local

Apesar das decisões federais, esses líderes acreditam que os EUA, o segundo maior poluidor mundial (atrás da China), ainda podem atingir as metas do Acordo de Paris de 2015 e as emissões líquidas zero até meados do século. “Trump fala muito e faz muito barulho, mas não pode nos impedir de seguir em frente”, reforçou Inslee.

Uma análise recente da AIAI corrobora esse otimismo. O estudo mostra que a expansão da ação climática local, combinada com um eventual apoio federal após 2028, pode levar os EUA a reduzir suas emissões em 56% (abaixo dos níveis de 2005) até 2035. (Sob a administração anterior, a meta era de 66%).

Nate Hultman, diretor do Centro para Sustentabilidade Global da Universidade de Maryland, que liderou o estudo, destacou que “políticas locais inovadoras” em três áreas principais são cruciais: eletricidade, transporte e redução de emissões de metano (de vazamentos de gás e resíduos).

Energia limpa avança até em ‘Estados Vermelhos’

Gina McCarthy, que também foi assessora climática do governo Biden, afirmou em um fórum no Rio que “a mudança acontece de baixo para cima”. Ela destacou que os 24 estados da Aliança Climática já conseguiram reduzir coletivamente suas emissões em 24% (em relação a 2005), enquanto aumentaram seu PIB em 34%.

O argumento econômico é uma das principais forças desse movimento. Mesmo estados que não integram a Aliança, como o Texas (que apoiou Trump nas últimas eleições), lideram o país em desenvolvimento de energia renovável e capacidade de armazenamento em baterias.

O motivo, segundo Inslee, é simples: os americanos “querem fontes de energia mais baratas”. Dados da agência governamental de energia dos EUA (EIA) mostram que os preços médios da eletricidade no Texas estão entre os mais baixos do país, um resultado direto do investimento em fontes limpas.

*Com informações da DW

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