A apreensão de um petroleiro por forças dos Estados Unidos marcou mais um capítulo da ofensiva de Washington contra o governo de Nicolás Maduro. As imagens divulgadas pelas autoridades americanas mostram militares descendo de helicóptero para tomar controle da embarcação, classificada pelos EUA como parte de uma “rede ilícita de transporte de petróleo que apoia organizações terroristas estrangeiras”.
A seguir, o que já foi confirmado sobre o caso.
Como foi a operação de apreensão
O presidente Donald Trump anunciou a ação afirmando: “Nós acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela… um petroleiro grande, muito grande… o maior já apreendido, na verdade.”
O vídeo divulgado pela procuradora-geral Pam Bondi registra agentes armados caminhando pelo convés do navio. Bondi informou que o mandado de apreensão foi cumprido pela Guarda Costeira dos EUA, FBI, Departamento de Segurança Interna e Pentágono. A localização precisa da embarcação não foi divulgada, mas autoridades ouvidas pela CBS News disseram que ela teria partido recentemente de um porto venezuelano.
Segundo fontes citadas pela emissora, a operação utilizou dois helicópteros, 10 fuzileiros navais, 10 agentes da Guarda Costeira e equipes de operações especiais, incluindo o grupo de elite Maritime Security and Response Team, especializado em contraterrorismo e abordagens de alto risco.
Juristas consultados apontam que o governo Trump não apresentou claramente a base legal da apreensão. O ex-advogado militar Victor Hansen afirmou que o episódio parece ligado a violações de sanções, e não a justificativas militares. Ele explicou que operações desse tipo sempre contam com análises jurídicas internas, mas advogados não têm poder de veto: “O que fazem é aconselhar os comandantes sobre as legalidades, riscos e benefícios.”
O que se sabe sobre o petroleiro
A empresa Vanguard Tech identificou o navio como Skipper e afirma que ele falsificava sua localização há meses. Segundo a empresa, a embarcação faria parte da chamada “frota sombria”, utilizada para transportar petróleo venezuelano sob sanções.
Dados analisados por Reuters e TankerTrackers.com indicam que o Skipper teria saído do terminal de José com cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo pesado, dos quais 200 mil teriam sido transferidos para outro navio antes da apreensão.
O Departamento do Tesouro dos EUA já havia sancionado o Skipper em 2022 por supostamente participar de operações que gerariam recursos para o Hezbollah e para a Força Quds iraniana. O BBC Verify localizou o navio no MarineTraffic, que indicava bandeira da Guiana, algo negado pela Administração Marítima do país, que declarou que o registro era falso.
O destino da carga apreendida
Questionado sobre o petróleo, Trump respondeu: “A gente fica com ele, eu acho… presumo que vamos ficar com o petróleo.”
Estimativas de mercado sugerem que o carregamento poderia ultrapassar US$ 95 milhões, considerando o valor do barril de petróleo pesado. No entanto, a BBC afirma não ter conseguido confirmar o volume exato da carga.
Pam Bondi reiterou que a embarcação estava envolvida há anos em uma rede de transporte de petróleo sancionado, afirmando: “Por vários anos, o petroleiro vem sendo sancionado pelos Estados Unidos devido à sua participação em uma rede ilícita de transporte de petróleo que apoia organizações terroristas estrangeiras.”
A reação da Venezuela
O chanceler Yvan Gil classificou a ação americana como “pirataria internacional” e acusou Trump de tentar se apropriar dos recursos energéticos venezuelanos. Maduro argumenta que os EUA utilizam a presença militar no Caribe e a “guerra às drogas” para pressionar seu governo, algo que Washington nega.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, mas enfrenta dificuldades para exportar devido a sanções, problemas estruturais e à necessidade de equipamentos especializados para processar seu petróleo pesado.
Como o caso se insere na estratégia dos EUA
A apreensão ocorre em meio à campanha do governo Trump contra o tráfico de drogas e contra organizações que Washington classificou como terroristas. A Casa Branca mobilizou 15 mil soldados e navios de guerra no Caribe, incluindo o porta-aviões USS Gerald Ford, de onde partiram os helicópteros usados na operação.
Mick Mulroy, ex-fuzileiro e ex-subsecretário adjunto de Defesa, afirmou que a ação aumenta a pressão sobre Caracas: “A apreensão envia uma mensagem, especialmente se isso for apenas o começo de uma campanha.”
As forças americanas já realizaram mais de 20 ataques em águas internacionais desde setembro, com dezenas de mortes. Os EUA alegam combater “narcoterroristas”, mas especialistas afirmam que essa classificação não os transforma em alvos militares legítimos.
*Com informações do G1
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