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Nova IA revoluciona detecção de câncer de pâncreas em exames de rotina

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Ferramenta desenvolvida na China, apelidada de PANDA, identifica tumores em tomografias simples que médicos humanos têm dificuldade de visualizar, aumentando drasticamente as chances de sobrevivência.

O câncer de pâncreas é historicamente um dos diagnósticos mais desafiadores da medicina moderna, mas uma nova tecnologia baseada em inteligência artificial (IA) está mudando esse cenário na China. A ferramenta, testada em hospitais e desenvolvida por gigantes da tecnologia, tem conseguido identificar tumores em estágios iniciais durante exames que não foram sequer desenhados para essa finalidade.

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Um exemplo prático dessa inovação é o caso de Qiu Sijun, um pedreiro aposentado de 57 anos. Ao realizar um check-up de rotina para diabetes no leste da China, ele foi surpreendido por uma ligação do chefe do departamento de pâncreas do hospital. Uma ferramenta de IA havia sinalizado uma anormalidade em sua tomografia. O diagnóstico confirmou um câncer em estágio inicial, permitindo a remoção cirúrgica antes mesmo do surgimento de sintomas.

“Eu sabia que não podia ser algo bom”, relembrou Qiu. Graças à intervenção da IA, o tumor foi removido e ele retornou à sua vida na agricultura familiar.

O desafio do diagnóstico do câncer de pâncreas e a solução PANDA

A detecção precoce é o maior obstáculo no combate a essa doença, que possui uma taxa de sobrevivência de apenas 10% em cinco anos. Tomografias computadorizadas com contraste (que usam corante injetado) são eficazes, mas envolvem alta radiação. Já as tomografias sem contraste, comuns em check-ups, produzem imagens menos definidas, dificultando a análise humana.

É aqui que entra o PANDA (Pancreatic Cancer Detection with Artificial Intelligence). Desenvolvida pela Damo Academy, braço de pesquisa da Alibaba, a ferramenta foi treinada para “enxergar” o que os olhos humanos muitas vezes perdem em exames de baixa resolução.

Para criar o algoritmo, engenheiros utilizaram um método inovador:

  1. Radiologistas marcaram manualmente lesões em mais de 2.000 exames com contraste (alta definição).

  2. Os engenheiros mapearam essas lesões para as versões sem contraste dos mesmos pacientes.

  3. A IA aprendeu a identificar os padrões sutis nas imagens de baixa qualidade.

Em um estudo publicado na revista Nature Medicine em 2023, o PANDA identificou corretamente 93% das lesões pancreáticas em um teste com mais de 20.000 exames.

Resultados promissores e reconhecimento internacional

No Hospital Popular Afiliado da Universidade de Ningbo, onde o Dr. Zhu Kelei lidera os testes clínicos, a ferramenta analisou mais de 180.000 tomografias de tórax e abdômen desde novembro de 2024. O resultado foi a detecção de cerca de duas dezenas de casos de câncer, sendo 14 deles em estágio inicial.

“Acho que se pode dizer com 100% de certeza que a IA salvou a vida deles”, afirmou o Dr. Zhu.

A eficácia da tecnologia chamou a atenção global. Em abril, a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) concedeu ao PANDA o status de “dispositivo inovador”, o que deve acelerar sua avaliação para o mercado norte-americano.

Desafios éticos e técnicos: o equilíbrio da inovação

Apesar do sucesso, a implementação da IA no câncer de pâncreas não está isenta de críticas e obstáculos. Especialistas como o Dr. Ajit Goenka, da Mayo Clinic, alertam para o risco de falsos positivos. O sistema já emitiu 1.400 alertas, dos quais apenas 300 exigiram acompanhamento real, o que pode gerar ansiedade desnecessária e custos com exames invasivos em pacientes saudáveis.

Outros desafios incluem:

  • Limitações de Hardware: Computadores antigos em hospitais chineses frequentemente travam ao processar o grande volume de dados do modelo.

  • Confiança do Paciente: Devido a históricos de corrupção médica na China, alguns pacientes hesitam em realizar o acompanhamento, suspeitando que o hospital busca apenas lucro.

  • Nível de Especialização: A Dra. Diane Simeone, da Universidade da Califórnia, sugere que a ferramenta é mais útil para médicos em treinamento ou centros com escassez de especialistas, já que radiologistas experientes poderiam identificar muitos desses tumores sem auxílio.

Ainda assim, para pacientes como Qiu, a tecnologia foi a diferença entre a vida e a morte. O sistema continua sendo aprimorado, operando sem custo adicional para os pacientes e analisando exames já solicitados por outros motivos médicos.

Leia mais:
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