O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (4), o texto do acordo Mercosul-UE, consolidando um passo decisivo para a integração econômica entre a América do Sul e a Europa. A votação ocorreu por unanimidade, sob a presidência de Davi Alcolumbre, logo após a Câmara dos Deputados também ter dado parecer favorável na semana anterior. Com a anuência do Legislativo brasileiro, o tratado que visa criar um dos maiores mercados comuns do planeta depende agora apenas da ratificação pelo Parlamento do Paraguai para completar o ciclo entre os membros fundadores do bloco sul-americano.
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O pacto internacional, que levou 25 anos para ser negociado e foi formalizado em janeiro, abrange uma região com aproximadamente 700 milhões de habitantes. Juntos, os países envolvidos representam 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. A medida é vista por especialistas e parlamentares como uma resposta estratégica ao cenário de protecionismo global, oferecendo uma alternativa sólida às políticas tarifárias restritivas adotadas por outras potências econômicas.
Implementação provisória e benefícios econômicos do tratado
Enquanto os países do Cone Sul finalizam seus ritos legislativos internos, a União Europeia já sinalizou que pretende aplicar o tratado de forma provisória. Essa decisão aguarda um posicionamento do Tribunal de Justiça da União Europeia sobre a legalidade do procedimento. Uma vez que a notificação formal ocorra, as novas regras entrarão em vigor em um prazo de dois meses.
A expectativa é que o acordo Mercosul-UE elimine gradualmente as tarifas de importação e exportação sobre mais de 90% do comércio bilateral. Para as nações europeias, como Alemanha e Espanha, a abertura facilita o escoamento de produtos industrializados, máquinas e bebidas alcoólicas. Para o Brasil, que detém a liderança global na produção de soja, carne e café, o tratado representa uma oportunidade ímpar de expandir sua presença no exigente mercado europeu.
Desafios e resistências no setor agropecuário europeu
Apesar do entusiasmo de setores industriais e do governo brasileiro, a proposta enfrenta forte oposição em solo europeu. Agricultores e pecuaristas, especialmente na França, manifestam preocupação com a competitividade dos produtos sul-americanos. O argumento central dos críticos é que as regulamentações de produção no Mercosul seriam mais flexíveis, permitindo preços mais baixos que ameaçariam a sustentabilidade do setor agrícola na Europa.
Durante os debates no Senado, a relatora do projeto, senadora Tereza Cristina (PP-MS), enfatizou que o acordo é uma ferramenta essencial de modernização em um mundo fragmentado. Segundo a parlamentar, a união entre os blocos fortalece a posição geopolítica de ambos em um momento de incertezas nas relações comerciais globais. Com as aprovações já garantidas por Argentina e Uruguai, o foco agora se volta para Assunção, onde o aval paraguaio é considerado iminente para selar o compromisso histórico.
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