O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou nesta quinta-feira, dia 5, que a balança comercial brasileira alcançou um superávit de US$ 4,208 bilhões no mês de fevereiro. O montante representa o quarto maior resultado para o período desde o início da série histórica, em 1989. O desempenho reverte o cenário observado no mesmo mês de 2025, quando o país registrou um déficit de US$ 467 milhões, impulsionado, na época, pela importação excepcional de uma plataforma de petróleo.
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De acordo com os dados oficiais, o crescimento das exportações e a retração nas importações foram os pilares para o saldo positivo. Enquanto as vendas externas somaram US$ 26,306 bilhões (alta de 15,6%), as compras de produtos estrangeiros totalizaram US$ 22,098 bilhões, o que configura uma queda de 4,8% em relação ao ano anterior.
Desempenho dos setores e influência do petróleo
O setor extrativo foi o grande protagonista do mês. As exportações dessa categoria saltaram 55,5%, com destaque absoluto para os óleos brutos de petróleo, que registraram um aumento de US$ 1,622 bilhão em comparação a fevereiro de 2025. Esse avanço é explicado pela ausência de paradas para manutenção em plataformas, permitindo um fluxo contínuo de embarques. Além do óleo, o minério de ferro e o cobre também apresentaram variações positivas significativas.
A agropecuária também contribuiu para o resultado da balança comercial, apresentando um crescimento de 6,1%. A soja continua sendo o principal item da pauta exportadora do setor, com alta de 15,5%, acompanhada pelo milho e pelas frutas frescas. Na indústria de transformação, o destaque ficou para a carne bovina e os produtos semiacabados de ferro e aço, que ajudaram o setor a crescer 6,3% em volume financeiro.
Queda nas importações e o cenário econômico
Pelo lado das importações, o recuo de 4,8% está diretamente ligado à diminuição nas compras de gás natural e à desaceleração da economia interna. A redução nos investimentos refletiu na queda drástica da importação de motores e máquinas não elétricas, que recuaram 70,5%. O Mdic também pontuou que a base de comparação de 2025 estava elevada devido à aquisição de bens de capital de alto valor, como embarcações, que não se repetiu este ano.
No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o saldo comercial já soma US$ 8,023 bilhões. O valor é 329% superior ao mesmo intervalo do ano passado, consolidando o segundo melhor início de ano da história, ficando atrás apenas do recorde estabelecido em 2024.
Projeções para o fechamento de 2026
Para o restante do ano, o governo mantém um otimismo moderado. A projeção oficial do Mdic indica que o superávit anual deve situar-se entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. Caso as estimativas se confirmem, o país poderá superar o resultado de 2025, que fechou em US$ 68,3 bilhões, embora ainda distante do recorde histórico de 2023, quando o saldo positivo atingiu US$ 98,9 bilhões.
Entretanto, há uma divergência entre as expectativas governamentais e as do mercado financeiro. O Boletim Focus, que reúne as previsões de analistas do Banco Central, estima um superávit mais conservador, em torno de US$ 68,63 bilhões. O Mdic informou que atualizará suas projeções detalhadas em abril, considerando o comportamento dos preços das commodities e o ritmo da demanda global.
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