A CPI do Crime Organizado do Senado Federal deu um passo decisivo em suas investigações nesta quarta-feira, 11 de março de 2026. O colegiado aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, figura central nos desdobramentos que envolvem o processo de fraude financeira do antigo Banco Master. A instituição, que pertencia ao cunhado de Zettel, Daniel Vorcaro, foi liquidada pelo Banco Central após a identificação de irregularidades estruturais.
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As decisões da comissão parlamentar buscam rastrear o fluxo financeiro e as comunicações realizadas entre os anos de 2020 e 2026. O avanço dos trabalhos legislativos ocorre em paralelo aos novos capítulos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga a gestão bancária e possíveis conexões com redes de lavagem de dinheiro.
Investigação sobre Fabiano Zettel e a Operação Compliance Zero
O empresário Fabiano Campos Zettel teve sua situação jurídica agravada após se entregar voluntariamente às autoridades na última semana. A prisão ocorreu na quarta-feira, 4 de março, como parte da fase mais recente da ofensiva da Polícia Federal contra crimes financeiros de colarinho branco.
Com a aprovação do requerimento na CPI, os parlamentares agora aguardam o envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) por parte do Coaf. Esses documentos são fundamentais para identificar se houve ocultação de bens ou movimentações atípicas em nome de Zettel que possam comprovar a tese de fraude financeira. O período solicitado para análise abrange os últimos seis anos, permitindo uma visão detalhada da evolução patrimonial e das transações efetuadas pelo investigado.
Convocação de ex-diretores do Banco Central e novos depoimentos
Além das quebras de sigilo, o foco da comissão se voltou para a fiscalização regulatória da autoridade monetária. O colegiado aprovou a convocação obrigatória de dois nomes que ocuparam cargos estratégicos no Banco Central durante o período dos fatos sob investigação.
Deverão comparecer ao Senado para prestar esclarecimentos:
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Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização.
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Bellini Santana, que atuou como chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
A intenção dos senadores é compreender se houve falhas na vigilância do sistema financeiro ou se alertas técnicos foram ignorados enquanto as supostas irregularidades ocorriam. A presença dos ex-diretores é considerada essencial para elucidar como o banco atingiu o estado de insolvência sem intervenções prévias mais severas.
O caso de Luiz Philippi Mourão e pedidos ao STF
Um dos pontos mais sensíveis da sessão foi a aprovação de medidas relacionadas a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Ex-aliado de Daniel Vorcaro, Mourão faleceu no último dia 4, após um incidente de autoflagelação durante sua custódia na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.
Mesmo após o falecimento, a CPI entendeu ser necessária a devassa em seus dados financeiros e telemáticos para mapear a rede de contatos e as operações das quais ele participava. Adicionalmente, a comissão aprovou um pedido formal de informações ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, visando obter detalhes sobre as circunstâncias da morte e o conteúdo das investigações que envolviam o ex-colaborador.
A expectativa é que, com o cruzamento dos dados da Polícia Federal e os novos sigilos levantados, a comissão possa apresentar um relatório robusto sobre a profundidade da influência de grupos organizados em setores estratégicos do sistema financeiro nacional.
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