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EUA intensificam ofensiva bilionária por minerais críticos no Brasil

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O governo dos Estados Unidos iniciou uma movimentação estratégica de proporções bilionárias para assegurar o acesso às vastas reservas de minerais críticos e terras raras em solo brasileiro. Com estimativas de que o Brasil detenha entre 20% e 23% das reservas mundiais desses elementos, o país consolidou-se como a segunda maior potência do setor, atrás apenas da China. Esta ofensiva americana visa reduzir a dependência global em relação ao mercado chinês, que atualmente lidera a produção e o processamento desses insumos fundamentais para a tecnologia moderna.

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Os elementos conhecidos como terras raras e outros minérios estratégicos são vitais para a fabricação de componentes de alta tecnologia. Eles compõem desde baterias de veículos elétricos e turbinas eólicas até equipamentos militares de última geração, como mísseis, satélites e caças. Entre os itens mais cobiçados estão o lítio, o cobalto e o nióbio, substâncias que se tornaram o novo centro da disputa geopolítica entre as duas maiores economias do mundo.

Estratégia americana envolve investimentos e pressão política

A investida dos EUA no setor de mineração brasileiro opera em duas frentes distintas. No campo econômico, Washington planeja injetar dezenas de bilhões de dólares em parcerias com mineradoras que já possuem autorização para pesquisa ou exploração no Brasil. O foco recai principalmente sobre as chamadas empresas junior, companhias de pequeno porte que detêm direitos minerais, mas carecem de capital para iniciar a fase operacional.

No campo político, a pressão é para que o governo brasileiro formalize acordos de cooperação o mais rápido possível. Uma minuta de memorando de entendimento foi entregue ao Ministério das Relações Exteriores em fevereiro. O documento é semelhante ao tratado firmado entre americanos e australianos em 2025, que estabelece diretrizes para preços mínimos, aceleração de licenciamentos ambientais e, fundamentalmente, a prioridade de exportação para os EUA e seus aliados.

O papel estratégico das reservas brasileiras no mercado global

O interesse internacional pelas reservas de minerais críticos do Brasil acelerou após mudanças no fluxo de exportação de grandes mineradoras. Até o ano passado, quase a totalidade da produção brasileira de terras raras era destinada ao mercado chinês. No entanto, movimentos recentes indicam uma mudança de rumo. A mineradora Serra Verde, operando em Goiás, recebeu um financiamento de 565 milhões de dólares da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC).

Esse aporte garantiu aos americanos participação acionária na empresa e coincidiu com o anúncio de que a mineradora encerrará seus contratos de fornecimento com a China até o final de 2026. Outro exemplo é a mineradora Aclara, que recebeu um investimento de 5 milhões de dólares para projetos em Nova Roma, também no estado de Goiás. Esses movimentos sugerem um esforço coordenado para redirecionar o fluxo de matérias-primas brasileiras do Oriente para o Ocidente.

Desafios técnicos e a necessidade de processamento local

Apesar do volume financeiro envolvido, especialistas alertam que a exclusão da China do processo produtivo não será imediata. Atualmente, os Estados Unidos possuem capacidade para refinar apenas cerca de 11% da produção global desses minérios. O domínio técnico do processamento químico ainda é amplamente chinês, o que obriga investidores a buscarem novas soluções de infraestrutura.

Representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) destacam que o interesse americano é, acima de tudo, uma busca por garantia de suprimento. Episódios recentes de suspensão de exportações chinesas para os EUA, em resposta a sanções tarifárias, criaram um estado de alerta em Washington. Para a indústria de defesa e de energia limpa, não ter controle sobre esses insumos representa um risco direto à segurança nacional e à competitividade econômica no século 21.

A postura do governo brasileiro diante da disputa geopolítica

O Palácio do Planalto tem observado a movimentação com cautela e sem sinais de pressa para assinar acordos de exclusividade. A diplomacia brasileira historicamente evita alinhamentos automáticos que possam prejudicar a relação com seu principal parceiro comercial, a China. No governo atual, a avaliação é de que a posição do Brasil como detentor de matéria-prima essencial confere ao país um poder de barganha significativo.

Um ponto central para Brasília é a exigência de que os investimentos estrangeiros não se limitem à extração de minério bruto. O objetivo é atrair parcerias que desenvolvam a cadeia produtiva completa em território nacional, incluindo o refino e a transformação industrial. A intenção é romper com o modelo tradicional de exportação de commodities para, posteriormente, importar produtos acabados com alto valor agregado. O governo federal reforça que o Brasil está aberto ao diálogo com diversos atores, incluindo Japão e União Europeia, mantendo a diversidade de compradores como estratégia de soberania econômica.

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