Ex-primeira-dama se pronuncia após ida do ex-presidente para o 19º Batalhão da PM, conhecido como ‘Papudinha’; STF autoriza benefícios como remição de pena por leitura, mas nega acesso à TV com internet.
A transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), ocorrida nesta quinta-feira, gerou repercussões imediatas no cenário político e familiar do ex-mandatário. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, utilizou suas redes sociais para comentar a mudança e agradecer o tratamento recebido pelo marido durante o período em que esteve custodiado na sede da PF, em Brasília. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), visa garantir condições de cumprimento de pena em uma Sala de Estado-Maior, localizada no complexo conhecido popularmente como “Papudinha”.
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Logo nas primeiras horas após a transferência de Bolsonaro ser efetivada, Michelle publicou uma série de mensagens em seus stories no Instagram. Em tom de gratidão e resiliência, ela destacou a conduta dos agentes federais.
“Continuo confiando e agradecendo a Deus, certa de que tudo acontece no tempo do nosso amado Pai, e não no nosso. Sou grata a todos da PF que, durante o período em que o meu amor esteve lá, cuidaram dele com atenção, auxiliando nas medicações e nas refeições.”
A ex-primeira-dama finalizou as mensagens informando que estava a caminho do complexo para visitar o marido, pedindo bênçãos aos servidores que o atenderam.
O novo local de custódia e as determinações de Moraes
O local escolhido para a nova etapa da detenção, o 19º Batalhão da PM-DF, situa-se ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. Com a transferência de Bolsonaro, o ex-presidente passa a dividir o mesmo espaço físico de custódia que outras figuras centrais de sua gestão, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.
Na decisão que autorizou a mudança, o ministro Alexandre de Moraes estabeleceu regras estritas, porém com algumas concessões focadas na ressocialização e saúde. Foi autorizado que Bolsonaro receba assistência religiosa e participe de programas de remição de pena através da leitura, um mecanismo legal que permite a redução do tempo de cárcere baseada no estudo de obras literárias. Contudo, o magistrado negou o pedido da defesa para a instalação de uma televisão com acesso à internet na cela, mantendo restrições à comunicação externa não monitorada.
Vale lembrar que Jair Bolsonaro cumpre pena desde novembro, após condenação pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A defesa argumentava que as condições na PF eram inadequadas, ponto que foi rebatido por Moraes. O ministro salientou que a estadia na PF ocorreu com “absoluto respeito à dignidade da pessoa humana” e em condições “extremamente favoráveis” quando comparadas ao sistema penitenciário comum.
Avaliação médica e a busca por prisão domiciliar
Um dos pontos centrais que motivaram a transferência de Bolsonaro diz respeito à saúde do ex-presidente. Moraes determinou que peritos da Polícia Federal realizem uma avaliação médica detalhada para analisar o estado clínico atual do detento. O objetivo é verificar a eventual necessidade de encaminhamento para um hospital penitenciário ou se as instalações do batalhão são suficientes para o tratamento de suas comorbidades.
Este laudo pericial será a base para que o STF decida sobre o pedido da defesa de concessão de prisão domiciliar humanitária. Enquanto essa decisão não ocorre, Moraes justificou que a ida para a PM-DF oferece vantagens logísticas e sanitárias superiores às da PF. Segundo o ministro, o batalhão permite maior tempo para banho de sol, liberdade para exercícios físicos em qualquer horário e possui espaço adequado para a instalação de equipamentos de fisioterapia, essenciais para o quadro de saúde de Bolsonaro.
Rebatendo críticas de aliados e familiares
A decisão judicial também serviu para responder às críticas veiculadas por aliados e filhos do ex-presidente, como o senador Flávio Bolsonaro e o ex-vereador Carlos Bolsonaro. Moraes classificou as reclamações sobre o regime de cumprimento de pena como “infundadas”. O ministro reforçou que a condição de ex-chefe de Estado garante a Bolsonaro o direito à prisão especial em Sala de Estado-Maior, prerrogativa que está sendo integralmente respeitada com a alocação no 19º Batalhão.
A transferência de Bolsonaro para a “Papudinha” marca, portanto, um novo capítulo na execução de sua pena, equilibrando a rigidez da condenação por atos antidemocráticos com as garantias legais previstas para ex-presidentes, enquanto o judiciário aguarda os pareceres médicos definitivos.
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