O câncer colorretal está apresentando um crescimento preocupante entre adultos com menos de 50 anos, desafiando a percepção histórica de que a doença afetaria majoritariamente idosos. No cenário brasileiro, as projeções são alarmantes. Estimativas indicam que as mortes decorrentes dessa neoplasia devem saltar 36% até o ano de 2040, consolidando a enfermidade como uma das principais prioridades da oncologia moderna.
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Recentemente, casos de grande repercussão midiática trouxeram o debate à tona. As mortes de figuras públicas como os atores James Van Der Beek e Chadwick Boseman, além da cantora brasileira Preta Gil, evidenciaram que o tumor de cólon e reto não escolhe idade. Especialistas observam que diagnósticos em pessoas na faixa dos 20 e 30 anos, antes considerados excepcionais, tornaram-se ocorrências frequentes em centros oncológicos ao redor do mundo.
Panorama do câncer colorretal no Brasil e no mundo
Atualmente, nos Estados Unidos, essa já é a forma de câncer que mais vitima indivíduos abaixo dos 50 anos. De acordo com a Sociedade Americana do Câncer, espera-se que mais de 158 mil novos casos sejam registrados apenas este ano em solo americano. No Brasil, o cenário não é menos complexo. O país registra cerca de 45.630 novos diagnósticos anualmente, ocupando a posição de terceiro tipo de câncer mais comum entre a população.
Dados levantados pelo Estadão revelam que a mortalidade associada a tumores no intestino grosso e no reto cresceu quase 50% nas últimas duas décadas em território nacional. Um dos maiores obstáculos para a redução desses índices é a detecção tardia. Segundo a Fundação do Câncer, mais de 60% dos pacientes brasileiros só descobrem a doença em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de sucesso no tratamento.
Fatores de risco e o impacto do estilo de vida
Embora a maioria dos casos ainda se concentre em pessoas acima de cinco décadas de vida, a mortalidade entre os mais jovens tem subido cerca de 1,1% ao ano desde 2005. Médicos e pesquisadores buscam entender o que motiva essa mudança epidemiológica. Entre os principais fatores de risco consolidados estão a obesidade, o sedentarismo e uma dieta desequilibrada, caracterizada pelo alto consumo de carnes processadas e baixa ingestão de fibras, como frutas e vegetais.
Estudos publicados na revista The Lancet Oncology corroboram a tendência global de aumento da incidência precoce em diversos países. Além dos hábitos alimentares, investiga-se o papel da disbiose, um desequilíbrio nas bactérias que compõem a microbiota intestinal. Essa alteração no microbioma pode gerar inflamações crônicas que favorecem o surgimento de células cancerígenas. O consumo de alimentos ultraprocessados e a ingestão, mesmo que moderada, de bebidas alcoólicas também aparecem como variáveis importantes na equação de risco.
Sintomas e a importância do rastreamento preventivo
A identificação precoce é o fator determinante para a cura. Quando o tumor é detectado em sua fase inicial, as taxas de sobrevivência em cinco anos podem atingir entre 80% e 90%. Nesse estágio, pólipos pré-cancerígenos podem ser removidos antes mesmo de se tornarem malignos. Por outro lado, se a descoberta ocorre após a metástase, a sobrevida cai para uma faixa entre 10% e 15%.
Os sinais de alerta que não devem ser negligenciados incluem:
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Presença de sangue nas fezes ou sangramento retal;
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Alterações persistentes no hábito intestinal, como diarreia ou constipação;
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Fezes excessivamente finas por vários dias;
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Dores abdominais ou cólicas frequentes;
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Perda de peso sem motivo aparente e anemia detectada em exames laboratoriais.
As diretrizes médicas atuais sugerem que pessoas com risco médio iniciem o rastreamento aos 45 anos. No entanto, para aqueles com histórico familiar de doenças colorretais ou condições inflamatórias intestinais, a avaliação deve começar ainda mais cedo. Os métodos variam desde testes anuais de fezes até a colonoscopia, realizada geralmente a cada dez anos em pacientes sem alterações detectadas.
Diferenças biológicas em pacientes jovens
Um ponto de destaque nas pesquisas atuais é a localização dos tumores. Em adultos jovens, as neoplasias tendem a se manifestar com maior frequência no lado esquerdo do cólon e no reto. Essa característica biológica costuma gerar sintomas mais visíveis, o que, teoricamente, facilitaria a busca por ajuda médica rápida.
A prevenção continua sendo o melhor caminho. A adoção de exercícios físicos regulares e uma dieta rica em grãos integrais são recomendações fundamentais. Especialistas reforçam que a moderação no consumo de carne vermelha e a eliminação do tabagismo são passos essenciais para reverter as projeções negativas para as próximas décadas e garantir uma longevidade com qualidade de saúde.
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