Com 42 apoiadores, requerimento supera quórum mínimo e coloca pressão sobre a presidência da Casa para investigar indícios de fraude bilionária
A criação da CPI do Banco Master deu um passo decisivo no Senado Federal. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) confirmou que o requerimento para a instalação da comissão de inquérito já reúne 42 assinaturas, número superior ao mínimo constitucional exigido de 27 parlamentares, o equivalente a um terço da Casa.
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Com o documento pronto para ser protocolado, o andamento da investigação depende agora do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Cabe a ele realizar a leitura do pedido em plenário e designar o parlamentar que presidirá os trabalhos. A movimentação ocorre em um cenário de intensa atividade legislativa, onde já operam a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado.
Articulação política em torno da CPI do Banco Master
Mesmo durante o período de recesso parlamentar, as negociações para viabilizar a comissão se intensificaram. O movimento caracteriza-se pelo caráter suprapartidário, unindo congressistas da oposição e membros da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os parlamentares ativos na coleta de assinaturas destacam-se nomes como Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Marcos Pollon (PL-MS), Carlos Jordy (PL-RJ), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchiona (Psol-RS). Existem iniciativas paralelas tanto para Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), exclusivas de uma das Casas, quanto para Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs), que integram deputados e senadores.
Indícios de fraude e liquidação extrajudicial
O foco central da investigação baseia-se em apurações da Polícia Federal que indicam uma suposta fraude financeira estimada em R$ 12 bilhões. A gravidade da situação financeira da instituição levou a autoridade monetária brasileira a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Caso a comissão seja efetivamente instalada, os parlamentares pretendem estender o escopo da investigação para analisar também a atuação do Banco Regional de Brasília (BRB) em operações relacionadas ao caso.
Repercussão e conexões investigadas
O episódio ganhou tração em Brasília não apenas pelo volume financeiro, mas pelas conexões atribuídas ao controlador do banco, Daniel Vorcaro. Setores da oposição apontam supostos vínculos entre Vorcaro e familiares do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um elemento de análise política.
Um dos requerimentos, de autoria do deputado Carlos Jordy, cita um contrato que teria sido firmado entre a instituição financeira e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em nota oficial, Alexandre de Moraes refutou as alegações, afirmando que sua esposa “jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”.
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