A decisão do ministro do STF ocorre após o governador de São Paulo cancelar a agenda original devido a compromissos estaduais e tensões políticas internas.
Moraes autoriza o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a realizar a visita institucional ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, reagendando o encontro que havia sido cancelado anteriormente. A reunião ocorrerá na Sala de Estado-Maior do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”, no dia 29 de janeiro, entre 11h e 13h.
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A determinação judicial não se restringe apenas ao governador paulista. Na mesma decisão em que Moraes autoriza a entrada de Tarcísio, também foi concedida permissão para que outras autoridades visitem o ex-mandatário, que cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de estado. O ministro Jorge Antônio de Oliveira Francisco, do Tribunal de Contas da União (TCU), tem encontro marcado para o dia 28 de janeiro, das 11h às 13h. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) poderá visitar Bolsonaro no dia 4 de fevereiro, no horário das 8h às 10h.
O cenário político em que Moraes autoriza o encontro
Embora o ato administrativo pareça protocolar, o contexto em que Moraes autoriza esta visita é cercado de articulações complexas. A visita original estava prevista para ocorrer antes, mas foi cancelada pelo governador Tarcísio de Freitas. A justificativa oficial do Palácio dos Bandeirantes citou “compromissos em São Paulo”, sem fornecer maiores detalhes sobre a agenda que teria motivado a mudança repentina de planos.
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Nos bastidores, contudo, fontes próximas à administração estadual relatam um desconforto significativo do governador. Tarcísio estaria incomodado com a pressão exercida por aliados para que declare apoio público e irrestrito à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto. Declarações de Flávio à imprensa, indicando que o pai pediria esse apoio explicitamente, foram interpretadas por interlocutores de Tarcísio como ameaças veladas.
Tensões e a necessidade de remarcação
Ao passo que Moraes autoriza a nova data, Tarcísio busca equilibrar a lealdade ao seu grupo político de origem com a demonstração de autonomia. Segundo um membro do alto escalão do governo, a postura recente de membros do Partido Progressista (PP) e do clã Bolsonaro gerou a necessidade de o governador sinalizar que não aceitará subserviência. O cancelamento anterior serviu como um recado político silencioso.
A nota oficial divulgada pelo governo paulista manteve a sobriedade, informando apenas o adiamento e a solicitação de nova data. Agora, com o aval do Supremo, o encontro do dia 29 ganha contornos decisivos para o alinhamento da oposição. A expectativa é que a conversa na Papuda defina os próximos passos da relação entre o governador, visto como herdeiro natural do espólio eleitoral da direita, e o ex-presidente.
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