A tarifa global de 15% imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, resultou em um cenário inesperadamente favorável para a economia brasileira. De acordo com um levantamento detalhado do Global Trade Alert divulgado no último domingo (22/02), o Brasil registrou a maior redução na carga tributária média entre os principais parceiros comerciais norte-americanos após a reconfiguração do modelo de importação. O estudo aponta uma queda de 13,6 pontos percentuais na alíquota aplicada aos produtos nacionais, consolidando o país como o principal beneficiado pela mudança.
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A decisão de Washington surge após a Suprema Corte dos EUA derrubar o sistema anterior de alíquotas recíprocas. Em resposta ao revés jurídico, a Casa Branca invocou a Seção 122 da Lei do Comércio de 1974 para estabelecer uma taxa fixa inicial de 10%, que foi elevada para 15% no último sábado. Para o mercado brasileiro, essa transição significa que a barreira alfandegária média, que antes chegava a 26,3%, recuou agora para 12,8%.
Impacto da nova tarifa global nos principais mercados
A reestruturação tarifária gerou movimentos distintos no comércio internacional. Enquanto o Brasil encabeça a lista de beneficiados, a China ocupa a segunda posição com uma redução de 7,1 pontos percentuais em sua taxa média, que caiu de 36,8% para 29,7%. A Índia fecha o grupo de destaque com um corte de 5,6 pontos.
O fenômeno ocorre porque o novo cálculo soma as alíquotas vigentes antes do período de tensões comerciais ao acréscimo fixo de 15%. Como o Brasil enfrentava sanções severas anteriormente, a padronização acabou por aliviar a pressão sobre as exportações nacionais. Em contrapartida, nações que mantinham taxas baixas sob o regime antigo, como Reino Unido, Itália e Singapura, registraram aumentos que variam entre 1,1 e 2,1 pontos percentuais.
Competitividade brasileira frente aos vizinhos e à Europa
Mesmo com a sobretaxa generalizada, a posição relativa do Brasil no mercado norte-americano melhorou significativamente. O país apresenta agora uma tarifa média de 12,8%, um patamar mais competitivo do que o de potências europeias como Alemanha e França, cujos produtos enfrentarão taxas mínimas de 14,3%. No topo do ranking de menores tarifas permanecem os parceiros do acordo trilateral, com o Canadá liderando a lista (4,7%), seguido por Irlanda (5%) e México (5,2%).
O vice-presidente Geraldo Alckmin demonstrou otimismo com os novos índices. Segundo ele, o fato de a alíquota ser uniforme para todos os competidores preserva a competitividade do Brasil. Setores estratégicos como os de combustíveis, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves foram especialmente favorecidos, chegando a registrar isenção total em certos casos dentro do novo arranjo.
Perspectivas diplomáticas e votação no Congresso
A validade da atual sobretaxa é de 150 dias, período após o qual o Congresso dos Estados Unidos precisará referendar a medida para que ela se torne permanente. Enquanto isso, o cenário movimenta as agendas diplomáticas. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, tem visita programada a Donald Trump para tentar viabilizar o acordo entre a União Europeia e os EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também deve viajar a Washington em março para uma visita oficial. O governo brasileiro busca garantir um tratamento igualitário que evite distorções comerciais profundas. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança nas regras alfandegárias impacta diretamente cerca de 21,6 bilhões de dólares em exportações brasileiras, reforçando a importância estratégica deste novo momento para o comércio exterior do país.
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