As tecnologias de saúde ganharam um impulso histórico com a assinatura de parcerias estratégicas entre o Brasil e a Coreia do Sul. Durante missão oficial em Seul, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, formalizou acordos que somam R$ 1,1 bilhão em investimentos apenas no primeiro ano. O objetivo central da iniciativa é garantir a produção nacional de medicamentos de alta complexidade, vacinas e insumos diagnósticos, reduzindo a dependência brasileira de importações e fortalecendo a soberania do Sistema Único de Saúde (SUS).
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A agenda, que ocorre entre os dias 22 e 25 de fevereiro, integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) assinadas focam na transferência tecnológica de fármacos essenciais, como o aflibercepte, o bevacizumabe e o eculizumabe. Essas terapias são voltadas ao tratamento de doenças raras, diferentes tipos de câncer e condições oftalmológicas graves, como a degeneração macular.
Fortalecimento do complexo industrial e tecnologias de saúde
A internalização da fabricação desses medicamentos representa um avanço estrutural para a indústria brasileira. Ao estabelecer a produção local, o governo busca mitigar as vulnerabilidades causadas por oscilações no mercado internacional e prevenir riscos de desabastecimento. Além do aspecto de segurança sanitária, o projeto estimula a geração de empregos qualificados e o desenvolvimento científico no país.
No caso do aflibercepte, a parceria une a Fundação Ezequiel Dias (Funed) à iniciativa privada, representada pela Bionovis S.A. e a sul-coreana Samsung Bioepis. Já o bevacizumabe e o eculizumabe terão a Fundação Baiana de Pesquisa (Bahiafarma) como braço público na fabricação. O ministro Alexandre Padilha ressaltou que esses acordos conferem previsibilidade ao setor privado e reafirmam o compromisso de longo prazo do Estado com a inovação.
Inovação digital e cooperação em diagnósticos avançados
Além dos medicamentos, o intercâmbio contempla um Memorando de Entendimento (MoU) focado em transformação digital. A Coreia do Sul é reconhecida globalmente pela implementação de hospitais inteligentes e integração de dados. O Brasil pretende absorver essa expertise para modernizar o SUS, promovendo o intercâmbio de equipes técnicas e o desenvolvimento de ecossistemas de dados em saúde.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também ampliou sua atuação através de alianças com empresas como Optolane e GenBody. Os novos acordos visam a produção de testes diagnósticos de última geração (Point of Care), que permitem a detecção rápida de doenças como dengue, malária, Zika e HIV. Essa cooperação é vital para a resposta rápida do sistema público frente a emergências sanitárias e arboviroses sazonais.
Desafios globais e a coalizão no G20
A parceria estende-se ao cenário diplomático internacional. Sob a presidência brasileira do G20, foi proposta a criação de uma Coalizão para Produção, Inovação e Acesso a Tecnologias em Saúde. O Brasil convidou formalmente a Coreia do Sul para integrar o Comitê Diretor desse grupo antes do encontro no Rio de Janeiro, previsto para março. A coalizão focará inicialmente em medicamentos oncológicos e estratégias para tuberculose.
Outro ponto de convergência entre as nações é a resiliência climática. Através do programa AdaptaSUS, o Brasil busca colaborar com os sul-coreanos na construção de sistemas de saúde capazes de suportar eventos extremos, como secas e enchentes. Para o governo brasileiro, a saúde será um dos motores do desenvolvimento econômico sustentável nas próximas décadas, beneficiando as populações de ambos os países por meio de marcos legais sólidos e cooperação regulatória.
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