O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, emitiu um alerta contundente sobre a escala do conflito no Leste Europeu. Para o líder ucraniano, a guerra movida pela Rússia não é apenas uma invasão regional, mas o marco inicial de um embate global. Em entrevista recente na sede do governo em Kiev, Zelensky afirmou que Vladimir Putin já iniciou a Terceira Guerra Mundial e que a única resposta viável é a aplicação de uma pressão econômica e militar intensa para forçar o recuo das tropas russas.
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Zelensky demonstrou uma postura resiliente ao rejeitar categoricamente qualquer acordo de cessar-fogo que exija a entrega de territórios estratégicos. Segundo ele, aceitar as condições impostas pelo Kremlin não traria uma paz duradoura, mas ofereceria a Putin o tempo necessário para recuperar suas forças e retomar a ofensiva em um curto período, possivelmente entre um a dois anos.
A resistência contra a expansão da guerra
A visão de Zelensky sobre a guerra vai além da disputa por solo. Ele encara a exigência russa de controle sobre 20% da região de Donetsk, além de áreas em Kherson e Zaporizhzhia, como um abandono de centenas de milhares de cidadãos ucranianos. O presidente acredita que ceder a tais pressões dividiria a sociedade ucraniana e enfraqueceria as instituições democráticas que o país luta para preservar.
“A questão é quanto território ele conseguirá tomar e como detê-lo”, pontuou o líder, reforçando que a vitória da Ucrânia é, na verdade, uma vitória para o mundo inteiro. Para o governo em Kiev, restaurar as fronteiras de 1991 não é apenas um objetivo militar, mas uma questão de justiça internacional e preservação da independência nacional frente a um modelo de vida imposto externamente.
Relação com Washington e a influência de Donald Trump
O cenário diplomático tornou-se mais complexo com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. O atual presidente dos Estados Unidos tem exercido pressão para que a Ucrânia aceite negociações rápidas, sugerindo que concessões territoriais poderiam ser a chave para o fim das hostilidades. Apesar da suspensão de grande parte da ajuda militar direta por Washington, Zelensky mantém uma estratégia de evitar confrontos públicos com o líder americano.
Questionado sobre a confiabilidade das promessas de Trump, Zelensky destacou a importância das instituições. Ele argumenta que garantias de segurança precisam ser sólidas e aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos, garantindo que os compromissos sobrevivam às mudanças de mandatos presidenciais. Para o ucraniano, os líderes passam, mas as instituições e os tratados devem permanecer.
Desafios internos e a questão das eleições
Além do campo de batalha, a Ucrânia enfrenta pressões internas e externas para a realização de eleições gerais. Embora o mandato original tenha expirado, a lei marcial impede a realização de pleitos durante o conflito. Zelensky afirmou que a realização de eleições é tecnicamente possível, mas exige mudanças legislativas e, principalmente, garantias de segurança.
O presidente rebateu críticas sobre a legitimidade de seu governo, rindo das acusações de que seria um ditador. Ele ressaltou que, se as eleições forem uma condição indispensável para o apoio dos parceiros e para o fim das hostilidades, ele está disposto a realizá-las, desde que o processo seja reconhecido como honesto e legítimo tanto pelo povo ucraniano quanto pela comunidade internacional.
Defesa aérea e o futuro do combate
Um dos pontos críticos mencionados por Zelensky é a necessidade de autonomia na produção de armamentos. Ele lamentou a falta de licenças para que a Ucrânia produza sistemas avançados, como os mísseis Patriot, em seu próprio território. Atualmente, o país depende da compra de armas americanas por nações europeias para manter sua defesa aérea ativa.
Ao encerrar suas considerações, o presidente ucraniano utilizou uma analogia ao xadrez para descrever a complexidade da geopolítica atual. Ele acredita que o sucesso não virá de um único caminho, mas de passos paralelos que levem à contenção de Putin. Mesmo diante de um adversário que não demonstra intenção de parar, Zelensky mantém a esperança de que a pressão coordenada resultará no fim das agressões.
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