O SAD do Exército (Sistema de Apoio à Decisão) foi o centro de uma avaliação operacional realizada no coração da Amazônia e que pode mudar a forma como o combatente brasileiro atua em campo. Em um ambiente onde a densa vegetação costuma dificultar qualquer comunicação, o Comando de Operações Terrestres (COTER), a IMBEL e o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEx) testaram, em Manaus, uma tecnologia que promete ampliar a precisão, a segurança e a capacidade de coordenação das tropas. A atividade ocorreu no 1º Batalhão de Infantaria de Selva (Aeromóvel), o 1º BIS, e representa um avanço importante dentro do Projeto COBRA (Combatente Brasileiro).
A iniciativa busca mais do que modernizar equipamentos. O objetivo é introduzir uma nova lógica operacional, baseada em informações em tempo real e consciência situacional precisa, até então restritas aos níveis mais altos de comando. Agora, a proposta é que o próprio combatente em campo tenha acesso a dados estratégicos durante a missão.
Tecnologia do SAD promete “internet tática” e rastreamento em tempo real
No centro da inovação do SAD do Exército está a integração entre dispositivos militares robustos e tecnologia de uso cotidiano. A solução avaliada utiliza um rádio transceptor portátil da IMBEL — como os modelos da família TPP-1400 — conectado fisicamente a um smartphone tático. O rádio funciona como um modem seguro, criando uma espécie de “internet tática” capaz de operar sem torres de telefonia, com comunicação criptografada e protegida contra interferências de guerra eletrônica.
O sistema é operado pela Família de Aplicativos de Comando e Controle da Força Terrestre (FAC2FTer), software nacional que permite ao comandante visualizar a posição de cada integrante da tropa em um mapa digital, por meio do chamado Blue Force Tracking. Também possibilita troca de mensagens em chat seguro, envio de fotos e compartilhamento de croquis de inteligência.
Durante os testes no 1º BIS, essas capacidades demonstraram impacto direto na coordenação das equipes, especialmente em operações aeromóveis. Em situações de desembarque de helicópteros — marcadas por ruído intenso e dificuldade de comunicação por voz — o sistema contribuiu para um reagrupamento mais rápido e seguro, reduzindo riscos e acelerando decisões táticas.
Amazônia impõe desafios extremos e reforça importância da soberania tecnológica

A escolha da selva amazônica como ambiente de teste não foi casual. A região apresenta condições adversas que representam o limite para qualquer tecnologia: alta umidade, forte atenuação de sinais pela vegetação e longos deslocamentos sob clima hostil. A avaliação verificou desde a resistência física dos equipamentos até a autonomia das baterias e o uso de telas em ambientes com restrição de luz.
Além da performance tática, o projeto também reforça um componente estratégico: a soberania nacional. Com a IMBEL responsável pelos rádios e pelos algoritmos de criptografia, o Exército mantém controle integral sobre os dados transmitidos. Em cenários modernos, depender de tecnologias estrangeiras significaria riscos de interceptação, brechas digitais ou até desligamento remoto de dispositivos. O desenvolvimento nacional garante que informações sensíveis permaneçam protegidas.
Projeto COBRA avança e integração pode ser testada em 2025 com outras forças
A validação do SAD do Exército no 1º BIS é uma das etapas do Projeto COBRA, iniciativa que busca elevar o padrão da infantaria brasileira, aproximando suas capacidades tecnológicas dos exércitos mais avançados do mundo. O sistema deverá ser testado novamente em grande escala na Operação Atlas 2025, exercício conjunto do Ministério da Defesa que avaliará a interoperabilidade entre Marinha, Exército e Força Aérea.
A expectativa é que, por meio de programas de integração como o S2C2 (Sistemas de Sistemas de Comando e Controle), informações geradas pelo Sistema de Apoio à Decisão (SAD) possam ser visualizadas em tempo real também por plataformas de outras forças. O objetivo é construir uma imagem operacional unificada do território.
No futuro, o Exército planeja estender o sistema a veículos blindados, como o Guaicurus, e ao SISFRON, que monitora fronteiras. Assim, o combatente deixaria de atuar isoladamente e passaria a operar como um “sensor móvel” dentro de uma malha integrada de defesa.
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