O Fundo Florestas Tropicais (TFFF – Tropical Forests Forever Facility), iniciativa global lançada sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alcançou um marco significativo nesta sexta-feira (7). O bilionário australiano Andrew Forrest, fundador da Minderoo Foundation e da mineradora Fortescue Metals Group, anunciou o primeiro investimento privado no mecanismo, em um movimento que sinaliza a entrada do capital privado na nova estrutura de financiamento climático.
O anúncio, realizado durante o Belém Climate Summit, evento que marca o início da COP30, detalha um aporte de US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 57 milhões). Este valor será injetado como “capital catalítico”, um tipo de investimento focado em gerar alto impacto social e ambiental, com uma perspectiva de retorno financeiro ajustada para o longo prazo.
Este primeiro passo do setor privado é visto como crucial para a validação do modelo de financiamento híbrido do fundo.
O que é o “Capital Catalítico” e qual o objetivo de Forrest?

Andrew Forrest fez questão de sublinhar a natureza do aporte: trata-se de um investimento, não de uma doação. O objetivo principal, segundo o bilionário, é usar esses recursos iniciais para atrair outros grandes investidores institucionais e filantrópicos para o TFFF.
Nas palavras de Forrest, o mecanismo do fundo é projetado para “tornar a proteção das florestas uma escolha econômica racional”. A lógica é criar incentivos financeiros robustos o suficiente para que os países que mantêm suas florestas tropicais em pé sejam recompensados financeiramente por seus esforços de conservação.
A Minderoo Foundation, organização por trás do investimento, já possui um histórico notável em finanças de impacto. A entidade destinou mais de A$ 150 milhões (dólares australianos) em investimentos de impacto em diversas áreas, incluindo biodiversidade, igualdade de gênero e saúde pública.
Como US$ 10 milhões podem virar US$ 40 milhões
A expectativa da Minderoo Foundation é que sua entrada no TFFF funcione como um multiplicador. A organização projeta que este aporte inicial de US$ 10 milhões tem o potencial de “destravar até quatro vezes mais capital privado”.
Isso ocorreria porque o capital catalítico frequentemente assume os riscos iniciais de um projeto, tornando o fundo mais seguro e atraente para investidores subsequentes que buscam tanto um retorno financeiro quanto um impacto ambiental positivo. Ao reduzir o risco percebido, a Minderoo espera abrir caminho para um fluxo muito maior de investimentos privados.
A meta ambiciosa do Fundo Florestas Tropicais
O Tropical Forests Forever Facility é uma das estruturas de financiamento climático mais ambiciosas já propostas. O objetivo final é mobilizar a impressionante cifra de US$ 125 bilhões em capital, combinando recursos públicos (de governos) e privados (de bancos, fundos de investimento e filantropia).
O mecanismo de funcionamento do TFFF é o de um endowment, ou fundo patrimonial. Na prática, o capital principal (os US$ 125 bilhões) não é gasto diretamente. Em vez disso, ele é aplicado em ativos financeiros globais.
Os rendimentos gerados por essas aplicações são, então, utilizados para financiar pagamentos por resultados. Ou seja, países que comprovarem, por meio de métricas verificadas, a efetiva conservação e preservação de suas florestas tropicais, receberão os recursos.
O status atual dos aportes públicos
Antes mesmo do anúncio de Andrew Forrest, o TFFF já vinha acumulando compromissos significativos do setor público. Desde o seu anúncio oficial por Lula em Belém, o fundo já soma cerca de US$ 5,5 bilhões em compromissos de governos.
Os aportes públicos confirmados até o momento incluem:
- Brasil: US$ 1 bilhão
- Indonésia: US$ 1 bilhão
- Noruega: US$ 3 bilhões
- França: 500 milhões de euros
- Portugal: 1 milhão de euros
O investimento da Minderoo Foundation, embora menor em volume comparado aos aportes nacionais, é celebrado por ser o primeiro passo concreto da tão esperada participação do setor privado.
Para onde vai o dinheiro
O TFFF possui diretrizes claras sobre a distribuição dos recursos. Está previsto que pelo menos 20% de todos os recursos sejam destinados diretamente a povos indígenas e comunidades locais, reconhecendo seu papel fundamental na guarda das florestas.
À medida que o fundo atingir sua capacidade total, a expectativa é que os pagamentos aos países beneficiados possam chegar a US$ 4 bilhões por ano, sempre condicionados aos resultados de preservação florestal devidamente verificados.
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