Estudo sobre picadas de serpentes: inovação no tratamento com laser busca reduzir sequelas de envenenamentos
As picadas de serpentes representam um grave problema de saúde pública na região Norte, e uma pesquisa inovadora conduzida na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) acaba de ganhar reconhecimento nacional. A professora e pesquisadora Jacqueline Sachett, de 46 anos, foi agraciada com o prestigiado prêmio “Para Mulheres na Ciência”, uma iniciativa promovida pela L’Oréal em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).
O reconhecimento destaca o esforço da cientista em buscar novas soluções terapêuticas para os acidentes ofídicos. O projeto vencedor investiga o uso da terapia a laser de baixa intensidade como complemento ao tratamento padrão. O objetivo principal é avaliar se essa tecnologia pode reduzir infecções locais e acelerar a regeneração dos tecidos afetados pelo veneno, minimizando as sequelas físicas que muitas vezes incapacitam as vítimas.
Foco nas jararacas e lacunas no tratamento atual
A pesquisa concentra-se especificamente nas picadas de serpentes do gênero Bothrops, conhecidas popularmente como jararacas, que são responsáveis pela grande maioria dos acidentes no Brasil. Segundo Jacqueline Sachett, embora o soro antiofídico seja eficaz na neutralização sistêmica do veneno e essencial para salvar vidas, ainda existem lacunas significativas no tratamento das lesões locais.
O veneno das jararacas possui ação proteolítica, que causa necrose e destruição tecidual intensa na região da mordida. A proposta de utilizar o laser visa preencher essa lacuna assistencial, oferecendo uma alternativa que melhore o prognóstico de recuperação da pele e dos músculos atingidos. Com a premiação, a pesquisadora receberá uma bolsa de R$ 50 mil, valor que será investido na continuidade deste estudo vital para a medicina tropical.
Trajetória da pesquisa e relevância regional
Natural de Conselheiro Lafaiete (MG) e formada em enfermagem, Jacqueline iniciou sua carreira na assistência clínica. Sua trajetória mudou de rumo após concluir o mestrado em nefrologia pela UFMG e mudar-se para o Amazonas. Ao atuar na Fundação de Medicina Tropical da UEA, ela se deparou com a alta incidência de picadas de serpentes e decidiu dedicar sua carreira acadêmica a este tema, que é uma realidade frequente para as populações ribeirinhas e rurais da Amazônia.
Dados do Ministério da Saúde apontam que os índices de acidentes com animais peçonhentos permanecem elevados no país, com destaque para os estados do Pará e Minas Gerais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o ofidismo como uma doença tropical negligenciada, o que torna o trabalho desenvolvido na UEA ainda mais relevante.
Para a professora, a visibilidade trazida pelo prêmio é fundamental. “Espero que isso contribua para ampliar o financiamento e o interesse por pesquisas que melhorem a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou a pesquisadora à Folha de S.Paulo. O prêmio não apenas celebra a excelência feminina na ciência, mas também coloca em pauta a necessidade urgente de inovações no tratamento de picadas de serpentes no Brasil.
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