Equipe médica do ex-presidente realiza nesta segunda (29) bloqueio no nervo frênico esquerdo para conter crise persistente de soluços.
Bolsonaro, ex-presidente da República, permanece sob cuidados intensivos e deve passar a virada de ano hospitalizado. Internado desde a véspera de Natal no Hospital DF Star, em Brasília, ele será submetido a um novo procedimento médico nesta segunda-feira (29/12). O objetivo da equipe clínica é realizar o bloqueio do nervo frênico esquerdo, uma tentativa de conter as crises ininterruptas de soluços que, segundo relatos familiares e boletins médicos, têm afetado sua recuperação pós-cirúrgica.
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A permanência de Bolsonaro na unidade hospitalar se estende além do previsto inicialmente para a recuperação de uma herniorrafia inguinal bilateral (cirurgia de hérnia), realizada no dia 25 de dezembro. A complicação com os soluços, um problema que a família afirma persistir há pelo menos nove meses, exigiu novas intervenções.
No último sábado (27/12), os médicos já haviam realizado um bloqueio anestésico no nervo frênico direito. Contudo, como os sintomas não regrediram conforme o esperado, a equipe optou por intervir no lado esquerdo. O boletim médico divulgado na tarde de domingo (28) confirmou a necessidade da nova manobra:
“Para amanhã (29, segunda-feira), está programada a complementação do tratamento, com bloqueio do nervo frênico esquerdo, para posterior avaliação dos resultados. O paciente deverá seguir com fisioterapia para reabilitação, medidas de profilaxia de trombose venosa e cuidados clínicos”, informou o documento oficial do hospital.
Estado de saúde de Bolsonaro e relato familiar
O quadro clínico de Bolsonaro tem gerado preocupação entre seus familiares. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, utilizou as redes sociais para atualizar os apoiadores e pedir orações. Segundo ela, o marido enfrentou uma noite difícil entre sábado e domingo, marcada por exaustão física e alterações na pressão arterial devido à persistência dos espasmos involuntários.
“Jair não teve uma noite boa; apresentou uma nova crise de soluços iniciada por volta das 23h, que permaneceu até as 11h20 da manhã, sem pausas, o que lhe causou grande exaustão e elevação da pressão arterial”, relatou Michelle, explicando que o procedimento anterior no lado direito não foi suficiente para estabilizar o quadro.
A recorrência desse problema de saúde não é recente. Em julho deste ano, Bolsonaro já havia suspendido sua agenda política para cumprir um período de “repouso absoluto” por recomendação médica, visando tratar os mesmos sintomas. Em diversas ocasiões públicas antes de sua prisão, o ex-presidente associou essas complicações, incluindo os problemas intestinais e gástricos, às sequelas da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.
O procedimento agendado para hoje é uma radiointervenção que utiliza anestésicos, cujo efeito estimado dura entre 12 e 18 horas. Após a aplicação, Bolsonaro continuará em observação estrita para monitoramento da evolução clínica.
Situação jurídica e cumprimento da pena
A internação de Bolsonaro ocorre sob custódia do Estado. A cirurgia foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), baseada em perícia realizada pela Polícia Federal (PF) que atestou a necessidade do procedimento. A defesa do ex-presidente havia solicitado a transferência temporária para o tratamento da hérnia.
O cenário jurídico de Bolsonaro agravou-se significativamente no último trimestre. Ele cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto, mas teve o benefício revogado em 21 de novembro por determinação de Moraes, após uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Desde então, ele foi transferido para o regime de prisão preventiva na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília.
A situação tornou-se definitiva em 25 de novembro, quando o STF determinou o trânsito em julgado da sentença condenatória, esgotando as possibilidades de recurso para o núcleo central da trama golpista investigada. Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão.
A condenação se deve ao entendimento da Corte de que o ex-presidente liderou uma organização criminosa responsável por orquestrar ataques às instituições democráticas. Entre os crimes pelos quais Bolsonaro foi sentenciado estão:
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Organização criminosa armada;
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Tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;
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Golpe de Estado;
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Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União;
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Deterioração de patrimônio tombado.
Diante desse contexto complexo, que une o cumprimento de uma longa pena privativa de liberdade a um quadro de saúde delicado, a virada de ano de Bolsonaro será restrita ao ambiente hospitalar, sob vigilância e cuidados médicos contínuos, sem previsão imediata de alta ou retorno à carceragem da Polícia Federal.
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