O cenário aponta para inflação controlada e desaceleração do PIB, enquanto instituições divergem sobre o início do corte de juros em ano eleitoral
A economia em 2026 deve ser marcada por um movimento de transição importante, segundo as projeções das principais instituições financeiras do país. Com a inflação dando sinais de trégua e a atividade econômica entrando em um ritmo de desaceleração, o mercado volta suas atenções para o início de um novo ciclo de cortes na taxa de juros. Embora o consenso seja de alívio monetário, as opiniões se dividem sobre o momento exato desse início, variando entre janeiro, março ou até abril.
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Em um ano que será definido pelas eleições presidenciais, a Forbes compilou os dados de seis gigantes do setor bancário (Itaú, BTG Pactual, Santander, XP, UBS e Bradesco) para desenhar o futuro da economia em 2026. As análises abrangem desde a taxa Selic e o Produto Interno Bruto (PIB) até o comportamento do câmbio e da inflação.
Inflação e atividade econômica em desaceleração
Para o índice de preços, que encerrou o ano anterior com alta de 4,26%, a perspectiva é de arrefecimento. Cinco das seis instituições analisadas apostam que a inflação ficará entre 3,8% e 4% ao final do ano. Apenas o BTG mantém uma visão ligeiramente mais cautelosa, projetando o índice em 4,5%, um patamar acima do fechamento de 2025.
Analistas do Bradesco destacam que a inflação retornou ao intervalo da meta após um longo período, beneficiada pela desinflação de bens industriais exportada pela China e pela valorização cambial pontual. A acomodação da atividade econômica doméstica também joga a favor, reduzindo a pressão para o repasse de preços ao consumidor final.
Quando o assunto é o crescimento do país, o consenso é absoluto entre os bancos. Todos preveem uma desaceleração do PIB. Se em 2025 a alta provável superou os 2%, para a economia em 2026 a expectativa é de um avanço mais modesto, oscilando entre 1,5% e 1,7%.
O Itaú reforça essa visão ao analisar os dados recentes. Segundo o banco, o PIB do terceiro trimestre de 2025 cresceu apenas 0,1%, o que evidencia uma perda de tração. Os setores mais sensíveis à política monetária, como o comércio e serviços, já demonstram um esfriamento nítido, consequência natural dos juros elevados mantidos até agora.
O futuro dos juros e o impacto do câmbio
A grande dúvida que paira sobre a economia em 2026 reside na taxa Selic. As projeções para o final do ano variam entre 11,75% e 12,75% ao ano. O Banco Central tem adotado uma postura de cautela, comunicando ao mercado que não tem pressa para iniciar os cortes e que cada decisão dependerá estritamente dos dados econômicos apresentados mês a mês.
Já em relação ao câmbio, a disparidade nas apostas é maior, refletindo as incertezas de um ano eleitoral. As previsões para o dólar variam de R$ 5,20 a R$ 5,90. O prêmio de risco, que tipicamente sobe em épocas de eleição, pode limitar a valorização do real, mesmo diante de um cenário externo que poderia ser favorável.
O que esperam as instituições financeiras
Confira abaixo o detalhamento das visões de cada banco para a economia em 2026, considerando os pilares fundamentais de inflação, PIB, juros e câmbio.
Itaú O banco projeta uma inflação de 4%, reflexo da queda nos preços de bens industriais e estoques elevados. Para o PIB, a aposta é de 1,7%, com viés de alta devido à possibilidade de medidas contracíclicas. A Selic deve encerrar em 12,75%, com o ciclo de cortes podendo iniciar em janeiro, apesar da barra elevada para tal movimento. O câmbio é estimado em R$ 5,50, pressionado pelo risco eleitoral.
BTG Pactual Com uma visão mais conservadora para os preços, o BTG estima a inflação em 4,5%. O PIB deve ficar em 1,5%, sentindo os efeitos defasados da política monetária restritiva. A taxa de juros é projetada em 12% ao ano, favorecida pelo desaquecimento do mercado de trabalho. O dólar é visto a R$ 5,20.
Santander A instituição é otimista quanto à inflação, prevendo 3,8%, apoiada na acomodação das commodities. O PIB deve crescer 1,5%. Para os juros, a projeção é de 12,5%, com cortes iniciando em março. O câmbio, no entanto, é o mais pessimista da lista, estimado em R$ 5,90 devido às incertezas fiscais e domésticas.
XP Investimentos A XP alinha sua previsão de inflação em 4%, citando o atacado bem comportado. O PIB é projetado em 1,7%, sustentado por impulsos fiscais e mercado de trabalho ainda aquecido no curto prazo. A Selic deve ficar em 12,5%, com o ciclo de cortes começando em março. O câmbio é estimado em R$ 5,60.
UBS O banco suíço aposta em inflação de 3,8% e PIB de 1,5%, citando a baixa confiança empresarial. É a instituição que vê a menor taxa de juros terminal, de 11,75%, com cortes começando apenas em abril, mas em ritmo acelerado de 0,50 ponto percentual. O dólar é projetado em R$ 5,30.
Bradesco Por fim, o Bradesco também vê a inflação em 3,8%. O PIB deve avançar 1,5%, impulsionado pontualmente pelo salário mínimo no início do ano. A taxa de juros deve fechar em 12%, com expectativa de um corte inicial de 0,25 ponto já em janeiro. O câmbio deve permanecer estável.
Diante de tantas variáveis, o monitoramento constante dos indicadores será essencial para compreender os rumos do Brasil no próximo ano.
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