Filho do ex-presidente publicou documento no X classificando a prisão como uma tentativa de quebra moral e convocando a base de apoiadores para se manter firme.
A carta de Carlos Bolsonaro, tornada pública nesta terça-feira (13), trouxe à tona uma nova movimentação na estratégia de comunicação do clã Bolsonaro. O ex-vereador divulgou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) uma mensagem enviada ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O documento, carregado de apelos emocionais, cumpre a função dupla de prestar solidariedade familiar e, simultaneamente, reaquecer a militância política em torno da narrativa de perseguição e injustiça.
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Segundo as informações divulgadas no texto original, Jair Bolsonaro estaria preso há 27 anos e 3 meses, um dado que o filho utiliza para contextualizar o que chama de “resistência”. A divulgação do conteúdo não é um ato isolado, mas sim uma peça calculada dentro do xadrez político atual. Ao expor palavras de afeto e lealdade, a carta de Carlos busca humanizar a figura do ex-mandatário e reforçar a tese, amplamente difundida entre aliados, de que o processo jurídico em curso visa, na verdade, atingir a honra e a moral do ex-presidente, para além das questões legais.
Estratégia digital e mobilização da base
A escolha das palavras na carta de Carlos demonstra um alinhamento com o discurso que tem sustentado a base bolsonarista nos últimos anos. Expressões como “dignidade não se negocia” e a afirmação de que a resistência é um “ato de amor” servem como combustíveis para o engajamento nas redes sociais. O texto evita o juridiquês e foca no sentimento, criando uma conexão direta com os simpatizantes que veem na prisão uma arbitrariedade.
Ao afirmar que divulgar o texto o “fortalece”, Carlos Bolsonaro sinaliza aos seguidores que a batalha política continua ativa. A narrativa construída no documento sugere que o objetivo dos adversários seria “quebrá-lo moralmente”, transformando a permanência de Bolsonaro na prisão em um símbolo de martírio político. Essa retórica é essencial para manter a coesão do grupo político, que se alimenta da ideia de enfrentamento contra um sistema considerado opressor pelo grupo.
O afeto como ferramenta de discurso
A carta de Carlos transita entre o lamento de um filho e o manifesto de um aliado político. A menção a “paredes frias” e “decisões arbitrárias” desenha um cenário de sofrimento que visa gerar empatia imediata. O texto conecta a sobrevivência política do pai ao futuro da própria família e dos seus eleitores, sugerindo que a “verdade” está sob ataque e que cabe aos apoiadores, juntamente com a família, a tarefa de preservá-la.

O encerramento da mensagem tenta blindar o ex-presidente contra o abatimento, com frases de incentivo que funcionam também como palavras de ordem para a militância externa. Ao pedir que o pai se levante todos os dias com a certeza de que sua história não termina ali, o filho projeta uma continuidade política, independentemente das circunstâncias atuais do cárcere.
Abaixo, reproduzimos o conteúdo completo do documento divulgado.
Íntegra da carta de Carlos Bolsonaro
Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 Jair Messias Bolsonaro Superintendência da Polícia Federal de Brasília
Pai,
Escrevo não apenas como filho, mas como alguém que te viu resistir quando tudo parecia perdido. Vi seu corpo ferido, tua alma testada, tua honra atacada de formas que poucos homens suportariam sem cair. E, ainda assim, você permaneceu de pé – mesmo quando tentaram te dobrar pela dor, pela injustiça, pela humilhação calculada e pelo silêncio imposto.
O que estão fazendo agora não é justiça. É perseguição, é tortura, é imoralidade. É a tentativa metódica de te esgotar por dentro, de te afastar de quem você ama, de te fazer acreditar que está sozinho. Mas você não está. Nunca esteve.
Cada dia que passa, pai, confirma aquilo que sempre soubemos: não é sobre erros, não é sobre leis – é sobre te quebrar moralmente. E é justamente por isso que resistir se tornou um ato de amor. Amor por nós, teus filhos. Amor por quem acredita em você. Amor pela verdade.
Quero que saiba que estamos aqui. Firmes. Atentos. Fortes por você, quando o cansaço aperta. Precisamos de você em pé, pai. Precisamos da tua lucidez, da tua presença, da tua voz – mesmo que agora tentem calá-la entre paredes frias, barulhentas, molhadas e decisões arbitrárias.
Você nos ensinou que dignidade não se negocia. Que caráter não se curva. Que a verdade pode até ser perseguida, mas nunca enterrada. É isso que nos sustenta agora. É isso que deve te sustentar.
Levante-se todos os dias com a certeza de que sua história não termina aqui. Que seus filhos precisam de você vivo, forte e de cabeça erguida. Que ainda há muito o que atravessar – e nós atravessaremos juntos.
A injustiça não vence homens íntegros. E você, pai, segue íntegro.
Com amor, lealdade e esperança,
Carlos.
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