A Rainha do Crime, que faleceu há cinco décadas, protagonizou um enigma real ao desaparecer por 11 dias em 1926. Além de relembrar o caso, confira a lista dos livros mais aclamados da autora britânica.
O maior mistério da “Rainha do Crime” não se encontra nas páginas de seus mais de 80 livros publicados, mas em um capítulo real de sua própria biografia. Agatha Christie (1890-1976), cuja morte completa 50 anos, deixou um legado literário inigualável e um enigma que segue instigando especialistas e leitores meio século depois. Em dezembro de 1926, aos 36 anos, a autora desapareceu sem deixar rastros por 11 dias, sob circunstâncias nunca totalmente esclarecidas.
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O episódio ocorreu em um momento de ascensão profissional da escritora, que já possuía seis romances publicados. No dia 3 de dezembro daquele ano, Agatha deixou sua residência em Sunningdale, na Inglaterra. No dia seguinte, seu carro foi encontrado abandonado na metade de uma ladeira gramada, com o capô enterrado em arbustos e roupas da escritora em seu interior.
O relatório policial da época, preservado pelo Arquivo Nacional do Reino Unido, descreveu a cena como indicativo de que “algo incomum havia ocorrido”. O caso ganhou repercussão global, estampando manchetes de jornais como The New York Times e Daily Mail.
Bastidores de um colapso pessoal
As investigações revelaram que a escritora vivia um período turbulento. Seu marido, Archie, havia solicitado o divórcio meses antes e confessado um caso extraconjugal com uma mulher mais jovem, Nancy Neele. Acredita-se que uma discussão entre o casal na noite do desaparecimento tenha sido o estopim para a saída de Agatha.
Após uma busca massiva, a autora foi localizada 11 dias depois em um hotel na cidade de Harrogate. O detalhe que mais chamou a atenção foi o nome utilizado por ela no registro do estabelecimento: o mesmo da amante de seu marido. Na ocasião, Agatha alegou não se recordar dos eventos.
Historiadores e a opinião pública da época dividiram-se entre teorias de que o ato seria uma vingança para constranger o marido ou até uma estratégia de marketing, visto que as vendas de seus livros aumentaram consideravelmente durante o período. O divórcio foi oficializado em 1928.
Contudo, biógrafos contemporâneos apontam para causas relacionadas à saúde mental. Andrew Norman, autor de Agatha Christie: The Disappearing Novelist (2014), sugere que ela entrou em um estado de “fuga” por trauma ou depressão. Já a biógrafa Lucy Worsley defende que a escritora pode ter enfrentado um colapso mental severo, com episódios de amnésia dissociativa.
O legado literário e as obras essenciais
Apesar do drama pessoal, Agatha Christie consolidou-se como uma gigante da literatura. Seus números são impressionantes: é uma das autoras mais publicadas da história, ficando atrás apenas da Bíblia e de William Shakespeare.
O portal The Home of Agatha Christie realizou uma pesquisa mundial para identificar quais são as obras-primas da escritora na opinião dos próprios fãs. A seleção abrange desde clássicos com o detetive Hercule Poirot até tramas protagonizadas por Miss Marple.
Confira abaixo os 7 melhores livros de Agatha Christie, segundo a votação dos leitores:
1. Os Crimes ABC

Nesta obra inovadora, Hercule Poirot enfrenta um serial killer que desafia sua inteligência enviando cartas provocativas antes de cada crime, seguindo rigorosamente a ordem alfabética das cidades e dos nomes das vítimas. A narrativa se destaca por fugir do padrão de crime passional ou financeiro, apresentando uma caçada psicológica tensa onde o detetive belga precisa correr contra o tempo para interromper a sequência mortal antes que o alfabeto avance.
2. A Morte no Nilo

Ambientado nas paisagens exóticas do Egito, este clássico mistura romance, traição e ganância a bordo de um cruzeiro de luxo pelo Rio Nilo. A vítima é uma jovem herdeira que parecia ter tudo, e a genialidade da trama reside na construção de um cenário onde, isolados no barco, quase todos os passageiros possuíam motivos plausíveis e oportunidades para cometer o assassinato, exigindo o máximo da dedução de Poirot.
3. Assassinato no Expresso Oriente

Talvez a obra mais célebre da Rainha do Crime, o livro apresenta um assassinato cometido dentro de um trem de luxo bloqueado por uma tempestade de neve, o que isola a vítima e o assassino no mesmo vagão. A claustrofobia do ambiente e a diversidade dos passageiros culminam em uma das resoluções mais surpreendentes e moralmente complexas da literatura policial, desafiando os próprios conceitos de justiça do detetive.
4. Morte na Praia

Com um cenário de férias paradisíaco que contrasta vividamente com a frieza do crime, a história gira em torno do assassinato de uma mulher sedutora que causava desconforto entre os hóspedes de um resort. É um exemplo brilhante da habilidade de Agatha Christie em criar o mistério do “quarto fechado” a céu aberto, utilizando álibis cronometrados e distrações meticulosas que parecem impossíveis de serem quebradas.
5. Cai o Pano

Esta obra carrega um peso emocional único e sombrio, marcando o último caso de Hercule Poirot e seu reencontro com o Capitão Hastings no local de sua primeira investigação conjunta, a mansão Styles. O livro aborda a natureza do mal em sua forma mais pura e intelectual, apresentando um desfecho impactante e definitivo que encerra com maestria a carreira do famoso detetive belga.
6. Convite para um Homicídio

A trama começa de forma inusitada e curiosa com um anúncio no jornal local prevendo um assassinato com data, hora e local marcados, o que é tratado inicialmente como uma brincadeira pelos vizinhos. Miss Marple assume o protagonismo para investigar os segredos sombrios escondidos sob a aparência de uma comunidade pacata, provando que a natureza humana é a mesma em qualquer lugar.
7. O Natal de Hercule Poirot

Longe do clima festivo e de paz tradicional, este mistério envolve uma família disfuncional reunida para o feriado e o assassinato brutal e sangrento do patriarca milionário. A narrativa é um exercício clássico de dedução focado na psicologia dos familiares e na desconstrução de um crime que parecia fisicamente impossível de ser cometido dentro de um quarto trancado por dentro.
Legado atemporal
Independente das teorias que cercam seu desaparecimento ou da preferência dos leitores por Poirot ou Miss Marple, a obra de Agatha Christie prova sua atemporalidade. Cinquenta anos após sua morte, seus livros continuam sendo reeditados e adaptados para o cinema e televisão, mantendo vivo o interesse global pelo gênero policial.
A união entre uma vida pessoal enigmática e uma produção literária prolífica assegura que o reinado da autora britânica perdure. Seja pelos enigmas reais de 1926 ou pelas tramas ficcionais meticulosamente construídas, Agatha Christie continua desafiando o público a solucionar mistérios que atravessam gerações, reafirmando sua posição única na história da literatura mundial.
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