Os caminhos de carreira que escolhemos trilhar ao longo da vida dizem muito mais sobre nossa estrutura psicológica do que sobre as habilidades técnicas que possuímos. Frequentemente, a sensação de estar “perdido” ou estagnado no trabalho não advém de uma falta de competência, mas sim de um desalinhamento entre o modelo de crescimento imposto pelo mercado e as necessidades internas de cada indivíduo. Entender essa dinâmica é fundamental para profissionais que buscam não apenas sucesso financeiro, mas uma trajetória sustentável e com propósito.
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O renomado cientista social Arthur C. Brooks propõe que a satisfação profissional está diretamente ligada à forma como construímos sentido no cotidiano. Segundo ele, existem quatro trajetórias distintas que definem como as pessoas se relacionam com o progresso e a identidade. Ao identificar em qual desses perfis você se encaixa, é possível transformar a ansiedade de uma transição de emprego em uma decisão estratégica e consciente.
O foco absoluto no domínio do “Especialista”
O primeiro dos caminhos de carreira descritos por Brooks foca na profundidade. O especialista é aquele profissional que encontra satisfação na maestria de um único domínio. Para este perfil, o sucesso não é medido pela quantidade de pessoas que ele gerencia ou pelo cargo de diretoria que ocupa, mas sim pelo refinamento técnico de suas habilidades.
Médicos cirurgiões, artesãos, acadêmicos e engenheiros de alta complexidade costumam se sentir em casa nesta categoria. A motivação aqui é baseada na identidade: a pessoa se torna o que faz. Estudos recentes indicam que esse alto nível de conexão com a função gera uma resiliência notável contra o esgotamento, pois o trabalho oferece um senso de continuidade. O desafio para o especialista é evitar ambientes que exigem mudanças laterais constantes, o que pode causar um estresse profundo ao interromper o processo de aperfeiçoamento contínuo.
A ascensão constante do modelo “Linear”
O modelo linear é a representação clássica da “escada corporativa”. Nele, o progresso é visível, hierárquico e validado externamente por meio de promoções, bônus e títulos de autoridade. Este perfil atrai indivíduos que se energizam com metas claras e marcos de crescimento bem definidos.
Para quem segue essa lógica, a estagnação é o maior inimigo. O profissional linear precisa sentir que está se movendo para cima. No entanto, o risco reside em perseguir o sucesso apenas por métricas externas, esquecendo-se de validar se esses objetivos ainda conversam com seus valores pessoais. Quando o crescimento está alinhado à ética individual, este caminho proporciona uma estabilidade psicológica robusta e uma visão clara de futuro.
A busca por novidade no perfil “Transitório”
Diferente dos modelos anteriores, os profissionais transitórios não buscam a escada ou o nicho profundo. Eles são movidos pela novidade. Para estas pessoas, a carreira é uma coleção de experiências diversas, muitas vezes em setores completamente distintos. Onde alguns veem instabilidade, o transitório vê combustível.
A ciência da psicologia explica que a necessidade de experiências inéditas é um preditor direto de bem-estar para certos indivíduos. Aqueles que se forçam a permanecer em estruturas rígidas apenas por segurança tendem a se desengajar rapidamente. O perfil transitório aprende rápido, adapta-se com facilidade a novos contextos e prefere o desafio de ser um iniciante novamente a enfrentar a monotonia de uma função estática.
O equilíbrio e a evolução do caminho em “Espiral”
O caminho em espiral representa uma síntese inteligente. Trata-se de uma trajetória onde o profissional muda de área ou função a cada poucos anos, mas sempre aproveitando o conhecimento acumulado na etapa anterior. Não é um reinício do zero, mas uma expansão lateral que gera uma identidade multifacetada.
Este perfil é ideal para quem busca padrões e gosta de aplicar soluções de um setor em outro completamente diferente. O profissional em espiral evita a limitação do especialista e a volatilidade do transitório, encontrando um ponto de equilíbrio onde a mudança é cumulativa. A satisfação aqui vem da integração da identidade, permitindo que a pessoa evolua sem perder sua essência.
Como alinhar sua motivação ao sucesso real
A grande lição do modelo de Brooks é que não existe um caminho superior ao outro. O sofrimento profissional surge quando tentamos encaixar um desejo de especialista em uma estrutura linear, ou quando um perfil em espiral é pressionado a ser um transitório constante.
A “moeda motivacional” de cada pessoa é única. Para alguns, será o prestígio; para outros, a autonomia ou a diversidade de tarefas. Reconhecer seu padrão de construção de sentido é o primeiro passo para garantir que o trabalho seja um aliado da sua saúde mental, e não um fardo. Em um mundo onde as carreiras são cada vez mais fluidas, a clareza sobre o seu perfil é o que garante uma navegação segura em direção à realização pessoal.
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