A qualidade do sono tornou-se um dos principais indicadores de saúde pública após dados inéditos do Ministério da Saúde revelarem um cenário preocupante para a população. Pela primeira vez, o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) investigou os hábitos de repouso nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. Os resultados indicam que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, índice abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
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Além da privação direta de descanso, a pesquisa aponta que 31,7% dos entrevistados apresentam ao menos um sintoma de insônia. O problema é mais acentuado entre o público feminino, atingindo 36,2% das mulheres, contra 26,2% dos homens. Esses números refletem não apenas uma questão biológica, mas um reflexo direto do estilo de vida contemporâneo e das pressões sociais que moldam o cotidiano nas grandes metrópoles.
Fatores psicossociais e o impacto na saúde feminina
Especialistas explicam que o ato de dormir não é meramente um processo fisiológico isolado. Segundo Renata Dawhache, coordenadora de psicologia do Hospital Pró-Cardíaco, o contexto social exige uma produtividade constante e um estado de hipervigilância. Essa pressão se estende para além do ambiente corporativo, envolvendo o cuidado com dependentes e a preocupação com a segurança urbana.
No caso específico das mulheres, a maior prevalência de distúrbios noturnos está ligada à carga histórica do trabalho de cuidado, que recai majoritariamente sobre elas. Somam-se a isso as variações hormonais típicas da perimenopausa e da menopausa, que comprometem diretamente a manutenção do descanso profundo. A falta de repouso adequado manifesta-se através de cansaço crônico, cefaleias, irritabilidade e quadros de ansiedade.
Como a higiene do sono pode transformar o descanso
Para reverter esse quadro, a prática da higiene do sono surge como uma estratégia essencial. O conceito baseia-se em preparar o corpo e a mente para o desligamento das funções de alerta. A principal recomendação é o distanciamento de telas que emitem luz azul, como smartphones e televisores, pelo menos uma hora antes de deitar. Criar um ambiente silencioso e com baixa luminosidade auxilia o organismo a entender que o período de vigília encerrou.
Além das mudanças ambientais, a busca por ajuda profissional é recomendada para investigar condições clínicas, como a apneia. Manter relações interpessoais saudáveis, praticar atividades físicas regulares e buscar momentos de pausa ao longo do dia também contribuem para que o cérebro consiga relaxar com maior facilidade ao chegar o período noturno.
Nutrição e hábitos alimentares influenciam a qualidade do sono
A dieta desempenha um papel determinante na regulação do ciclo circadiano. A nutricionista Fabiola Edde destaca que substâncias como cafeína e álcool são grandes inimigas do repouso reparador. Enquanto a cafeína mantém o sistema nervoso em alerta, o álcool inibe a produção de melatonina, o hormônio responsável pela indução do sono. O consumo de açúcar também é prejudicial, pois provoca picos de insulina que aumentam a agitação do indivíduo.
Alimentos gordurosos, frituras e o excesso de sódio dificultam a digestão e provocam despertares noturnos. A orientação dos especialistas é que o jantar ocorra até as 20h, priorizando opções mais leves. Para quem sente fome mais tarde, alimentos ricos em triptofano e magnésio, como banana, aveia, kiwi e sementes de girassol, são excelentes aliados na síntese da serotonina e melatonina.
Dormir bem é, inclusive, um fator determinante para o controle de peso. A privação do descanso desregula os hormônios da fome e da saciedade, podendo elevar a ingestão calórica em até 500 calorias no dia seguinte. Portanto, o equilíbrio hormonal e a saúde mental dependem diretamente de uma rotina noturna bem estruturada e livre de interferências externas.
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