A CPI do INSS deu um novo passo em suas investigações nesta segunda-feira (2) com o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus. O requerimento, protocolado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), baseia-se em indícios de que a instituição religiosa compartilha o mesmo endereço com entidades já investigadas por descontos indevidos em benefícios previdenciários.
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A movimentação da comissão parlamentar de inquérito busca esclarecer as conexões entre associações de aposentados e o possível uso de estruturas religiosas para a movimentação de recursos oriundos de esquemas fraudulentos.
Endereços compartilhados e conexões com a AAB
De acordo com a justificativa apresentada pelo senador Viana, a igreja sob suspeita foi fundada por Lucineide dos Santos Oliveira, que também consta como sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB). A AAB é uma das entidades que já enfrentam processos administrativos pela Controladoria-Geral da União (CGU) devido a denúncias de fraudes em descontos nas folhas de pagamento de pensionistas.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a coincidência logística. No mesmo local onde a igreja está registrada, também funcionaria uma empresa ligada a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior. Samuel atua como contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), outra organização que está no centro das investigações da CPI do INSS. Para o relator e para o presidente da comissão, esses elos sugerem uma rede estruturada para operar o esquema de descontos não autorizados.
O racha político e a polêmica com lideranças religiosas
A inserção de instituições religiosas no escopo das investigações não é um tema novo, mas tem gerado atritos significativos no Congresso Nacional. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) foi uma das primeiras a apontar publicamente que pastores e igrejas estariam sendo utilizados como fachada para legitimar as fraudes contra os aposentados.
As declarações de Damares provocaram uma reação imediata de lideranças evangélicas. O pastor Silas Malafaia rebateu duramente a parlamentar, exigindo a divulgação imediata de nomes e provas, sob pena de considerar as acusações levianas. Em resposta ao embate, a senadora apresentou uma lista detalhada de requerimentos, incluindo pedidos de transferência de sigilo e convocações para depoimentos, o que intensificou o clima de tensão entre a bancada evangélica e a comissão de inquérito.
Convocação de novos depoentes na CPI do INSS
A repercussão do caso levou o deputado Rogério Correia (PT-MG) a protocolar um pedido de convocação para que o próprio Silas Malafaia preste esclarecimentos. Segundo o parlamentar, é necessário aprofundar a investigação sobre a atuação de líderes que saem em defesa de denominações sob suspeita.
Enquanto isso, outros nomes mencionados nas listas de Damares Alves, como o pastor Héber Trigueiro, da Adoração Church, criticam o que chamam de exposição precoce antes da conclusão das investigações. O presidente da comissão, Carlos Viana, que também possui base religiosa na Igreja da Lagoinha, defende que a transparência é essencial para separar instituições legítimas de grupos que usam a fé para cometer crimes previdenciários.
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