O ministro do STF solicitou a redistribuição do caso após reunião com o presidente da Corte, Edson Fachin; decisão ocorre em meio a menções em mensagens de celular de banqueiro.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), oficializou nesta quinta-feira seu pedido para deixar a relatoria do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão foi tomada após uma reunião de três horas convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para discutir um relatório da Polícia Federal (PF) que cita o nome do magistrado.
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As menções a Toffoli foram localizadas em mensagens no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aparelho este apreendido durante operações de busca e apreensão. Embora o conteúdo específico das mensagens esteja sob segredo de Justiça, a repercussão do caso levou o ministro a optar pelo afastamento da função de relator.
Apoio institucional e ausência de impedimento
Em nota oficial, o STF manifestou apoio a Dias Toffoli, ressaltando que não foram identificados motivos legais para suspeição ou impedimento do ministro. O texto destaca que Toffoli colaborou com todas as solicitações feitas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao longo do processo.
A saída do cargo foi formalizada como uma iniciativa do próprio magistrado, baseada no Regimento Interno do Tribunal, visando o “bom andamento dos processos” e a preservação dos interesses institucionais da Corte.
Entenda o contexto das investigações
A permanência de Toffoli na relatoria vinha sendo questionada desde o mês passado. Relatórios apontaram irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master, que adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento pertencia a familiares do ministro.
Em esclarecimento à imprensa, o ministro confirmou ser um dos sócios do resort, porém negou categoricamente o recebimento de qualquer valor proveniente de Daniel Vorcaro.
Próximos passos no STF
Com a saída de Toffoli, cabe agora ao ministro Edson Fachin promover a livre redistribuição do caso. Um novo relator será sorteado entre os demais membros da Corte para conduzir os desdobramentos das investigações sobre as atividades do Banco Master.
Nota do oficial dos dez ministros do STF
Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.
Assinam:
Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino
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