O atendimento multidisciplinar oferecido pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) tem sido fundamental para romper o ciclo da violência doméstica e garantir proteção efetiva às mulheres em Manaus. O serviço, realizado pelo Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), alia suporte jurídico, psicológico e social para assegurar não apenas medidas protetivas, mas também a reconstrução da autonomia e da cidadania das assistidas.
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Um dos casos que ilustra esse impacto é o da manauara Eliana Cristina Cavalcante Gomes, de 55 anos. Após viver mais de três décadas em relacionamentos abusivos, ela conseguiu interromper o ciclo de violência com apoio da Defensoria. Segundo relata, todo o processo — incluindo medida protetiva, divórcio e acesso a benefícios — foi resolvido em menos de um mês.
“Hoje eu me sinto uma mulher livre, independente e empoderada”, afirma.
Violência doméstica em Manaus: trajetória marcada por ciclos de abuso
A história de Eliana é atravessada por episódios de violência desde a infância. Ela cresceu em um ambiente familiar marcado por agressões contra a mãe e, ainda jovem, saiu de casa sem apoio. Em situação de vulnerabilidade, enfrentou dificuldades como fome e dependência química.
Na vida adulta, entrou em dois relacionamentos abusivos. O primeiro, que durou 12 anos, foi marcado por violência física, psicológica e sexual. Após conseguir sair dessa relação, acabou ingressando em outro casamento igualmente violento, que se estendeu por duas décadas.
“Você não vê mais esperança. Vive com medo e acha que não vai conseguir sair”, relata.
A mudança começou após uma denúncia e o encaminhamento à rede de proteção. Mesmo após ter um pedido inicial de medida protetiva negado, ela procurou a Defensoria Pública, onde recebeu atendimento integral.
Atendimento integrado acelera decisões e amplia proteção
De acordo com a coordenadora do Nudem, a defensora pública Caroline Braz, o caso de Eliana demonstra a eficácia do modelo multidisciplinar. A equipe conseguiu agilizar tanto a medida protetiva quanto o processo de divórcio, além de viabilizar auxílio-aluguel, destinado a mulheres em situação de vulnerabilidade extrema.
A atuação integrada envolve profissionais de diversas áreas. A assistente jurídica Cássia Oliveira explica que, além da demanda judicial, foram identificadas necessidades sociais urgentes, o que motivou o encaminhamento para atendimento psicossocial.
O resultado foi rápido: o divórcio foi protocolado em janeiro de 2026 e teve decisão favorável em poucas horas. A regularização documental também permitiu que a assistida acessasse benefícios sociais e retomasse sua autonomia.
Para a psicóloga Polyana Pinheiro, o acolhimento é essencial para interromper o ciclo de violência. “Ela chegou em sofrimento intenso, com múltiplas demandas. Nosso papel é garantir escuta qualificada e encaminhamentos adequados”, afirma.
Outro diferencial destacado pela assistente social Márcia Moraes é o “encaminhamento monitorado”, estratégia que evita a revitimização. Nesse modelo, a equipe acompanha a mulher nos serviços públicos, reduzindo a necessidade de repetir relatos traumáticos.
Reconstrução da cidadania e novos projetos de vida
Com o ciclo de violência rompido, Eliana afirma viver um novo momento. Após concluir o Ensino Médio, ela planeja se mudar para São Paulo e ingressar no ensino superior, com o objetivo de cursar Pedagogia e se tornar professora de Libras.
Além disso, pretende criar um projeto social voltado ao apoio de mulheres vítimas de violência, oferecendo orientação e incentivo para que outras consigam sair de situações semelhantes.
“Quero passar força e esperança para outras mulheres”, diz.
Como acessar o atendimento da Defensoria Pública
O Núcleo de Defesa da Mulher funciona na avenida André Araújo, nº 7, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, com plantão para casos urgentes durante a semana, das 14h às 18h, além de fins de semana e feriados, das 8h às 18h.
Também é possível buscar atendimento por meio de canais virtuais, como WhatsApp, facilitando o acesso para mulheres que não podem comparecer presencialmente.
A Defensoria reforça que o serviço é gratuito e que a equipe do Nudem é composto por equipe 100% feminina, com o objetivo de proporcionar acolhimento e segurança às assistidas. A iniciativa reforça a importância de políticas públicas integradas no combate à violência doméstica e na promoção da dignidade das mulheres.

Segundo a defensora Caroline Braz, o atendimento abrange diversas demandas, como medidas protetivas, divórcio, guarda de filhos, pensão alimentícia e até ações indenizatórias.
“A mulher não precisa enfrentar isso sozinha. Estamos aqui para orientar e garantir seus direitos”, afirma.
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