Câmeras corporais revelam crime de policiais do Choque e levam à prisão de cinco agentes no Rio de Janeiro
Crime de policiais do Batalhão de Choque foi identificado pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro após a análise das câmeras corporais usadas durante a megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha, em outubro. As imagens divulgadas pelo Fantástico no domingo 30 mostraram furtos de armas, equipamentos e peças de veículos cometidos por agentes, o que resultou na prisão de cinco PMs na sexta-feira 28.
No total, dez policiais são investigados. Cinco deles tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos. A investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar conta com apoio do Ministério Público, que denunciou os envolvidos por peculato e avalia outras práticas irregulares, como a obstrução das câmeras corporais durante a ação.
Câmeras mostram furtos de fuzis, coletes e peças de carro
As gravações revelam que o sargento Marcos Vinícius encontrou um fuzil AK 47 dentro da cozinha de uma casa usada por traficantes e, junto com o sargento Charles, desmontou e escondeu a arma em uma mochila. O armamento não entrou no registro oficial de apreensões. Em outro caso, o sargento Diogo deixou de entregar um fuzil recuperado após confronto armado.

A Corregedoria também identificou um policial do BOPE separando equipamentos como coletes e rádio comunicador para levar consigo. Além das armas, policiais foram filmados retirando retrovisores e a tampa do motor de uma caminhonete dentro da comunidade. Todas as peças furtadas foram colocadas em uma viatura.

A Polícia Militar informou que os agentes envolvidos responderão a processo administrativo disciplinar, além das ações judiciais em andamento. A corporação segue avaliando se outros agentes também praticaram irregularidades.
Megaoperação teve 113 prisões e 122 mortes
A ação nos Complexos da Penha e do Alemão é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 113 prisões e 122 mortes, entre elas cinco policiais civis e militares. A operação faz parte de uma estratégia permanente do Governo do Rio para conter o avanço do Comando Vermelho.
A primeira fase tinha como objetivo cumprir 180 mandados de prisão, incluindo alvos de outros estados. O principal procurado era Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca ou Urso, apontado como um dos líderes do tráfico na região. Ele conseguiu escapar e continua foragido.
O início da operação foi antecipado por causa de confrontos entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro na comunidade da Pedreira, o que levou à mobilização de cerca de 2,5 mil policiais civis e militares.
Segunda fase mira logística e lavagem de dinheiro da facção
Na segunda fase da operação, um dos presos foi Cosme Rogério Ferreira Dias, empresário ligado ao ramo de reciclagem. Ele é apontado pela investigação como responsável pela construção das barricadas que impedem o acesso de moradores e agentes de segurança, além de gerir operações financeiras da facção.
Segundo a Polícia, ferros velhos controlados pelo grupo funcionavam como centros de lavagem de dinheiro, fornecimento de materiais e apoio logístico às barreiras instaladas nos complexos.
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