A detenção do empresário brasileiro Maximiano Fernandes, de 41 anos, ocorrida em 28 de janeiro na cidade de Stow, Massachusetts, desencadeou uma onda de apoio da comunidade local e reações políticas. O proprietário do Stow Cafe foi detido por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) sob a alegação de irregularidades em sua permanência no país e a existência de registros criminais recentes.
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O perfil do empresário e o contexto da detenção
Maximiano Fernandes é natural de Porto Alegre e reside nos Estados Unidos há 15 anos. Em 2011, adquiriu o Stow Cafe em sociedade, tornando-se uma figura conhecida na região. Casado e pai de quatro filhos, o brasileiro foi abordado pelos agentes federais no momento em que iniciava sua jornada de trabalho.
De acordo com informações do Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgadas pelo jornal The Boston Globe, Fernandes teria excedido o limite de permanência permitido pelo seu visto de turista B2. Atualmente, ele permanece sob custódia federal enquanto aguarda o desenrolar dos procedimentos de imigração.
Acusações criminais e posicionamento das autoridades locais
Além da questão migratória, o governo dos Estados Unidos fundamenta a manutenção da custódia em infrações cometidas no território americano. Segundo os registros oficiais, o brasileiro enfrenta acusações que incluem agressão a menor e atentado ao pudor.
O Departamento de Polícia de Stow emitiu um comunicado oficial esclarecendo que não participou da operação de captura. A corporação destacou que a ordem de detenção foi reflexo de um caso de agressão e lesão corporal contra uma pessoa maior de 14 anos, processo este que teria sido finalizado no Tribunal Distrital de Concord referente a fatos ocorridos em 2024.
Apoio comunitário e articulação política em Massachusetts
A prisão de Fernandes motivou moradores de Stow a se organizarem em prol de sua família. No campo político, o senador democrata Jamie Eldridge manifestou apoio público e iniciou diálogos com Kate Hogan, representante da Câmara estadual, para prestar assistência à esposa do brasileiro.
O caso ocorre em um momento de alta tensão em relação às políticas migratórias federais. Recentemente, o governo anunciou a realocação de cerca de 700 agentes de imigração de estados como Minnesota, após protestos que resultaram em fatalidades.
Mudanças estratégicas nas operações federais de imigração
Tom Homan, figura central na gestão de fronteiras, explicou que a redução de agentes em certas localidades visa otimizar a coordenação com as administrações prisionais municipais. A estratégia busca focar o efetivo na remoção de estrangeiros com histórico criminal, permitindo que a custódia seja transferida diretamente do sistema prisional para o ICE.
Contudo, a resistência local permanece. Em diversos estados, xerifes e departamentos de correção hesitam em colaborar diretamente com as autoridades federais. Homan reiterou que, embora o foco sejam indivíduos considerados ameaças à segurança pública, qualquer imigrante em situação irregular permanece sujeito aos protocolos de fiscalização e remoção.
Maximiano Fernandes segue aguardando uma definição jurídica, enquanto o debate sobre a atuação do ICE e o destino de imigrantes estabelecidos em comunidades locais ganha força no cenário nacional.
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