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Terra Indígena Yanomami ganha unidade histórica de soberania alimentar para combater a fome

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A Terra Indígena Yanomami vive um marco decisivo em sua reconstrução com a inauguração da primeira unidade de soberania alimentar na comunidade de Sikamabiu, em Roraima. O projeto, entregue oficialmente nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, representa muito mais do que uma estrutura física; é o símbolo da retomada da autonomia de um povo que, até pouco tempo, enfrentava uma crise humanitária severa causada pela presença predatória do garimpo ilegal. Com foco na produção sustentável e na recuperação do ecossistema, a iniciativa visa garantir que a assistência chegue de forma permanente e estruturante.

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O impacto dessa ação atinge diretamente cerca de 400 indígenas de 30 famílias na região do Baixo Mucajaí. Onde antes o solo era castigado por dragas e o mercúrio ameaçava a vida, agora surgem viveiros de mudas nativas, tanques de piscicultura e roças comunitárias. A proposta do Governo Federal é ambiciosa e necessária: devolver aos Yanomami a capacidade de produzir seu próprio alimento, respeitando seus costumes ancestrais e promovendo a cura da floresta.

O fim do ciclo do garimpo e o foco na soberania alimentar

A unidade de Sikamabiu é a pioneira de um cronograma que prevê a instalação de outras sete estruturas semelhantes ainda em 2026. Essas unidades serão distribuídas por regiões estratégicas como Surucucu, Homoxi e Xitei, beneficiando um total de 18 comunidades. O investimento inicial de R$ 90 mil, realizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), é o alicerce para transformar áreas degradadas em sistemas produtivos eficientes.

Durante a cerimônia, o ministro Wellington Dias relembrou o cenário desolador encontrado no início da gestão atual, com altos índices de desnutrição e mortes evitáveis. A nova estratégia foca na segurança alimentar a longo prazo, não se limitando apenas à entrega de cestas básicas, mas capacitando a população local para o manejo de recursos naturais.

Tecnologia sustentável e recuperação ambiental em Roraima

O projeto técnico é robusto e conta com a expertise da Embrapa Roraima e o apoio da Funai. A estrutura montada em Sikamabiu inclui:

  • Aviário comunitário: Com 100 galinhas para produção de ovos e carne.

  • Viveiro de mudas: Capacidade para 2 mil plantas nativas, como cacau e açaí, essenciais para o reflorestamento.

  • Sistemas Agroflorestais (SAFs): Cultivo integrado de mandioca, arroz e batata que auxilia na recuperação do solo.

  • Compostagem: Produção de adubo natural para evitar o uso de químicos.

Um dos pontos mais celebrados foi a recuperação de dois açudes anteriormente utilizados pelo garimpo. Após testes rigorosos que confirmaram a ausência de mercúrio, esses espaços foram reintegrados à comunidade e agora abrigam, junto a um novo tanque escavado, cerca de 4 mil filhotes de peixes.

Autonomia produtiva e a criação de tambaqui

A diversificação da proteína animal é um pilar central da soberania alimentar. Além das ações do MDS, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) instalou 10 tanques elevados para a criação de tambaqui. O diferencial desta etapa é o foco no conhecimento: 34 indígenas estão sendo capacitados pelo Instituto Federal de Roraima (IFRR) para gerir sozinhos a produção.

A expectativa técnica é que, até o final de 2026, a comunidade consiga produzir cerca de uma tonelada de peixes, garantindo fartura e saúde para as famílias. Essa formação técnica assegura que a autonomia não seja apenas uma promessa, mas uma realidade prática nas mãos dos moradores locais.

Um plano de desenvolvimento para o bem viver indígena

A inauguração em Sikamabiu faz parte do Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami. Este plano é uma engrenagem complexa que envolve diversos ministérios para garantir direitos básicos. Além da alimentação, o Governo inaugurou o Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana em Boa Vista, reforçando a rede de proteção contra violências e abusos.

Com 9,6 milhões de hectares e uma população de aproximadamente 31 mil pessoas, a maior terra indígena do Brasil começa a ver o verde das plantações substituir o cinza da degradação, escrevendo um novo capítulo de dignidade no coração da Amazônia.

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