A Amazônia Legal perdeu 2.053 km² de floresta entre janeiro e agosto de 2026 e registrou o segundo menor desmatamento para o período nos últimos oito anos.
O desmatamento no Amazonas caiu 27% entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No mesmo período, a Amazônia Legal registrou a segunda menor área desmatada dos últimos oito anos.
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Ao todo, foram derrubados 2.053 quilômetros quadrados de floresta na Amazônia entre janeiro e agosto deste ano. O volume representa aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2025, mas ficou 74% abaixo do registrado em 2022, quando 7.943 km² foram destruídos.
O monitoramento é realizado pelo Imazon por meio de imagens de satélite. O instituto acompanha a região desde 2008.
Segundo a pesquisadora Raíssa Ferreira, a análise da série histórica mostra que o país já conseguiu reduzir significativamente a perda de floresta, mas ainda precisa avançar para alcançar a meta de desmatamento zero até 2030.
A menor área desmatada considerando a série histórica do instituto ocorreu em 2012, quando foram registrados 714 km² de floresta derrubada.
Agosto registra aumento na comparação anual
Somente em agosto de 2026, foram desmatados 463 km² na Amazônia Legal, uma área 19% maior do que a registrada no mesmo mês de 2025.
Apesar do crescimento anual, o resultado também foi o segundo menor registrado para agosto nos últimos oito anos.
Na série histórica do Imazon, o menor resultado para o mês ocorreu em 2008, com 102 km² derrubados. O maior foi observado em 2021, quando 1.606 km² de floresta foram destruídos.
Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram a maior parte do desmatamento registrado entre janeiro e agosto. Juntos, os três estados responderam por 83% de toda a área derrubada na Amazônia Legal no período.
Maioria das terras indígenas não teve desmatamento
Os dados do Imazon mostram ainda que 246 terras indígenas da Amazônia, o equivalente a 63% dos territórios monitorados, não registraram desmatamento entre janeiro e agosto.
Outras 138 terras indígenas, ou 35%, tiveram menos de 1 km² de floresta derrubada. Apenas sete territórios registraram desmatamento superior a 1 km².
No total, foram desmatados 32,25 km² dentro de terras indígenas, o equivalente a 1,6% de toda a perda de floresta registrada na Amazônia no período.
As unidades de conservação aparecem como a segunda categoria territorial com menor área devastada. Entre janeiro e agosto, foram registrados 192,8 km² de desmatamento nessas áreas, aproximadamente 9% do total da região.
A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu concentrou 75,19 km² de floresta derrubada, quase 40% do desmatamento registrado nas 333 unidades de conservação analisadas.
Entre essas unidades, 218, ou 65%, não tiveram desmatamento. Outras 93 registraram menos de 1 km² de perda florestal e 22 tiveram derrubada superior a 1 km².
Degradação florestal recua em agosto
Enquanto o desmatamento apresentou crescimento na comparação anual de agosto, a degradação florestal caiu 22%.
A área degradada passou de 559 km² em agosto de 2025 para 436 km² no mesmo mês de 2026.
Mato Grosso concentrou 47% da degradação registrada no mês, enquanto o Pará respondeu por 32%.
Segundo a pesquisadora Manoela Athaíde, os índices de degradação apresentam variações maiores ao longo dos anos porque episódios de queimadas podem ampliar rapidamente a área de floresta afetada.
Para o Imazon, esse comportamento evidencia o desafio de controlar os incêndios e outros processos de degradação na Amazônia.
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