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El Niño aumenta pressão sobre rios e abastecimento de energia na Amazônia

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Estiagem acelera a vazante dos rios e leva empresas a antecipar estoques de diesel para garantir geração de energia no interior do Amazonas

O avanço da estiagem provocado pelo El Niño aumenta a pressão sobre os rios da Amazônia e já mobiliza empresas dos setores de energia, combustíveis e logística no Amazonas. Com a redução das chuvas e a aceleração da vazante, cresce a preocupação com o transporte de diesel para municípios do interior que dependem de usinas termelétricas.

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Grande parte do abastecimento dessas localidades é realizada por via fluvial. À medida que o nível dos rios diminui, embarcações de maior porte encontram dificuldades para chegar a determinados destinos, elevando o risco de interrupções logísticas durante os meses mais críticos da seca.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S. Paulo, empresas responsáveis pela geração e distribuição de energia reforçaram os planos de contingência e solicitaram ao governo federal a antecipação de recursos da Conta de Consumo de Combustíveis, a CCC.

A medida busca viabilizar a compra e o armazenamento antecipado de diesel antes que a redução do calado dos rios comprometa o transporte de combustível.

A VP Flexgen, uma das empresas citadas no levantamento, informou que vem adotando medidas preventivas para ampliar os estoques e organizar antecipadamente as entregas.

“A empresa vem adotando medidas preventivas para reforçar os estoques e programar antecipadamente as entregas de combustível, em articulação com seus fornecedores, visando assegurar a continuidade e a segurança da geração de energia”, informou a companhia.

Entre os municípios incluídos no planejamento estão Humaitá, Borba, Autazes, Nova Olinda do Norte e São Gabriel da Cachoeira.

Empresas antecipam operações diante da vazante

O cenário aumenta a preocupação com a repetição de problemas registrados durante as estiagens severas de 2023 e 2024, quando a redução histórica do nível dos rios dificultou o transporte de pessoas, mercadorias, combustíveis e insumos em diferentes regiões do Amazonas.

Empresas de logística e distribuição de combustíveis já começaram a adaptar as operações para reduzir os impactos da seca de 2026.

O Grupo Atem, por exemplo, realiza operações de transbordo de cargas de navios para balsas em pontos estratégicos, como Itacoatiara. A estratégia permite que embarcações menores continuem transportando produtos quando navios de maior calado encontram dificuldades para navegar.

A formação antecipada de estoques também envolve dezenas de milhões de litros de óleo diesel destinados às usinas que atendem sistemas isolados no interior do estado.

Uma das principais preocupações do setor é que eventuais atrasos na liberação dos recursos necessários para a compra dos combustíveis prejudiquem a formação dos estoques antes da fase mais intensa da vazante.

Píer flutuante reforça logística em Itacoatiara

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários autorizou a transferência e a operação temporária de um píer flutuante do Grupo Chibatão em Itacoatiara.

A autorização é válida por 180 dias e busca manter o fluxo de cargas e insumos destinados ao Polo Industrial de Manaus durante o período de estiagem.

A estrutura permitirá ampliar as alternativas logísticas diante das limitações de calado que costumam se intensificar nos rios amazônicos durante os meses de seca.

A movimentação antecipada de cargas por Itacoatiara também ajuda empresas a reduzir a dependência de grandes embarcações nos trechos mais críticos da navegação até Manaus.

Vazante afeta energia e transporte no interior

Nos municípios atendidos por sistemas isolados, a segurança do fornecimento de energia depende diretamente da disponibilidade de combustível para as termelétricas.

Por isso, períodos de seca extrema representam um desafio adicional. Mesmo quando existe combustível disponível em outros pontos do estado, a redução do nível dos rios pode dificultar ou até impedir o transporte para determinadas localidades.

A estratégia das empresas é aumentar os estoques locais antes que as condições de navegação se tornem mais restritivas.

Além do setor elétrico, a vazante também afeta o transporte de alimentos, combustíveis, materiais de construção e outros produtos essenciais para comunidades do interior.

El Niño também pressiona abastecimento no Nordeste

Enquanto a Amazônia enfrenta dificuldades relacionadas principalmente à navegação e ao transporte de combustíveis, os efeitos do El Niño também aumentam a preocupação com o abastecimento de água no Nordeste.

Segundo o levantamento citado pela Folha de S. Paulo, reservatórios estratégicos em estados como Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte apresentam situações consideradas críticas.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico mantém sistemas hídricos classificados em estado hidrológico vermelho, nível mais grave da escala utilizada para monitorar a disponibilidade de água.

Entre as medidas preventivas estão restrições à captação, rodízios e priorização do abastecimento humano.

A persistência das condições associadas ao El Niño amplia a necessidade de planejamento nos setores de energia, transporte e abastecimento, especialmente em regiões mais vulneráveis à redução das chuvas.

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