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Aliados de Flávio Bolsonaro defendem resultado das eleições após carta com acusações de fraude

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Políticos próximos ao senador se distanciaram das declarações feitas sem apresentação de provas. Presidente do TSE afirmou que o pleito ocorreu dentro da normalidade e que eventuais questionamentos serão analisados conforme a lei.

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, defenderam o resultado das eleições após a divulgação de uma carta em que o parlamentar questiona a legitimidade do segundo turno e afirma que houve fraude eleitoral, sem apresentar provas. As manifestações ocorreram depois que o candidato deixou o Brasil e viajou para os Estados Unidos.

Publicada no fim da tarde de quarta-feira (28), a carta provocou reações de políticos que apoiaram Flávio durante a campanha. Entre eles estão o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do candidato derrotado.

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As declarações também foram respondidas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que reafirmou a regularidade do processo eleitoral.

Flávio Bolsonaro questiona eleições e cita prorrogação da votação

Na carta divulgada nas redes sociais, Flávio Bolsonaro alegou que o segundo turno teria sido fraudado em razão da prorrogação do horário de votação por duas horas, atribuída por ele a uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, dois pontos não foram mencionados pelo senador: o próprio Partido Liberal (PL) também havia solicitado a extensão do horário de votação, e pouco mais de 34 mil eleitores votaram depois das 17h, conforme dados do TSE.

A diferença entre Flávio Bolsonaro e o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi superior a 4,4 milhões de votos, segundo os números apresentados no texto original.

A divulgação da carta levou aliados do senador a defender o encerramento da disputa e o respeito ao resultado das urnas, embora alguns tenham manifestado críticas à condução do processo eleitoral.

Tarcísio de Freitas defende respeito ao resultado das urnas

Um dos principais apoiadores de Flávio Bolsonaro durante a campanha, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou, em entrevista ao jornal Estadão, que a eleição terminou e que é necessário respeitar a decisão dos eleitores.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou.

Na terça-feira (27), um dia antes da publicação da carta, Tarcísio já havia divulgado um vídeo no qual reconhecia o resultado da eleição que confirmou a vitória de Lula. Na gravação, embora não citasse o presidente eleito nominalmente, repetiu seis vezes a expressão “a eleição passou”.

Ricardo Nunes afirma que presidente é quem foi eleito pelo TSE

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também defendeu o reconhecimento do resultado eleitoral.

Em declaração ao Estadão, Nunes afirmou que o presidente do Brasil é “aquele que o TSE declarou eleito”. Ele acrescentou que cabe à oposição fiscalizar o governo e cobrar o cumprimento das promessas feitas durante a campanha.

A manifestação reforçou a posição de aliados que, apesar de terem apoiado Flávio Bolsonaro, defenderam a continuidade da atuação política dentro das regras democráticas.

Rogério Marinho diz que não há provas de fraude eleitoral

Líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho afirmou que não é possível sustentar uma acusação de fraude eleitoral sem evidências.

“O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

Marinho classificou a carta como um “desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado” e se referiu ao senador como “exilado político”. Ele também afirmou que não tinha conhecimento dos planos de Flávio para deixar o país.

A declaração chama atenção porque partiu de um dos principais responsáveis pela campanha do candidato derrotado, que se distanciou da acusação de fraude apresentada pelo aliado.

Valdemar Costa Neto afirma que não aprovou a carta

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também se manifestou sobre o episódio. Antes mesmo da divulgação da carta, o partido já havia reconhecido o resultado presidencial, embora defendesse o esclarecimento de questionamentos relacionados ao processo eleitoral.

“Reconhecemos o resultado presidencial […], mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos”, afirmou Valdemar.

Após visitar Jair Bolsonaro, pai de Flávio, o dirigente partidário disse que não gostou da carta e que não houve aprovação interna da iniciativa.

“Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio… queremos tocar o país para frente”, declarou.

Segundo Valdemar, nem mesmo Jair Bolsonaro teria conhecimento prévio da decisão do filho de deixar o Brasil.

Vice de Flávio Bolsonaro reconhece resultado, mas critica eleições

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que concorreu como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, adotou uma posição semelhante. Ele criticou a condução das eleições, mas reconheceu o resultado da disputa.

“Lutamos até o fim, permanecemos de pé, mantivemos nossos princípios. Tem vitórias que representam derrotas e tem derrotas que são verdadeiras vitórias. Nós ganhamos, permanecemos firmes naquilo que acreditamos”, declarou.

A fala manteve o tom de crítica política, sem apresentar evidências que comprovassem a acusação de fraude eleitoral.

União Brasil pede encerramento da disputa eleitoral

O União Brasil, partido que declarou apoio a Flávio Bolsonaro após o desempenho do senador no primeiro turno, divulgou uma nota defendendo a lisura do segundo turno e o respeito à decisão das urnas.

Segundo a legenda, a democracia não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso dos envolvidos com o resultado oficial.

A sigla também defendeu o encerramento da disputa e a concentração de esforços nos desafios do país.

Antes disso, a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), já havia defendido o reconhecimento do resultado eleitoral.

Outros partidos que apoiaram Flávio no segundo turno, como Republicanos, Podemos e MDB, também reconheceram a vitória de Lula.

Presidente do TSE afirma que eleições ocorreram dentro da normalidade

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, reagiu às declarações de Flávio Bolsonaro reafirmando a regularidade do processo eleitoral.

Indicado ao Supremo Tribunal Federal durante o governo de Jair Bolsonaro, o magistrado afirmou que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.

“Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”, declarou.

Nunes Marques acrescentou que eventuais questionamentos apresentados pelos meios legais serão analisados e respondidos dentro do devido processo legal.

A manifestação do presidente do TSE reforça a posição da Justiça Eleitoral diante das acusações feitas pelo senador, que não apresentou provas para sustentar a alegação de fraude na carta divulgada nos Estados Unidos.

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