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PF indicia Vorcaro e mais 14 por fraudes bilionárias no Banco Master e BRB

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Investigação aponta R$ 12,2 bilhões em créditos sem comprovação de existência e identifica operações mantidas pelo banco público mesmo após alertas sobre possíveis irregularidades.

A Polícia Federal (PF) indiciou 15 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a instituição pública. Segundo relatório de 703 páginas encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), as duas instituições negociaram R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse montante, pelo menos R$ 12,2 bilhões não tinham comprovação adequada de existência.

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De acordo com a investigação, Vorcaro é apontado como líder de um esquema que teria transformado créditos fictícios ou sem documentação confiável em títulos financeiros posteriormente vendidos ao BRB. Paulo Henrique Costa, por sua vez, teria facilitado as operações dentro do banco público.

Os indiciamentos envolvem suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada investigado. O relatório policial é parcial, e as apurações continuam.

Fraudes no Banco Master e no BRB: operações continuaram após alertas

A investigação aponta que o BRB manteve a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master mesmo após questionamentos do Banco Central (BC) e alertas internos sobre possíveis irregularidades.

Entre abril e maio de 2025, o banco público realizou novas operações que somaram R$ 4,05 bilhões. Segundo a PF, em vez de buscar a recuperação dos valores relacionados às carteiras consideradas problemáticas, o BRB aceitou substituí-las por outros ativos do Master.

Outro ponto identificado pelos investigadores foi o fracionamento das compras em operações de até R$ 750 milhões. A prática teria permitido que as transações fossem aprovadas pela diretoria sem passar pelo Conselho de Administração.

O relatório também aponta que aproximadamente R$ 7,6 bilhões foram desembolsados antes da conclusão dos pareceres técnicos exigidos para as operações.

Em outubro de 2025, o Banco Central proibiu o BRB de realizar novas aquisições de ativos, conforme descrito na investigação.

Carteiras de crédito apresentavam inconsistências

Parte das suspeitas envolve carteiras de crédito atribuídas à Tirreno Consultoria. Segundo a Polícia Federal, a empresa não apresentava estrutura compatível com operações financeiras de bilhões de reais.

A fiscalização identificou divergências relacionadas à origem dos créditos e indícios de que documentos teriam sido produzidos posteriormente para dar suporte às operações.

Em uma amostra de 100 contratos analisados, o Banco Central não conseguiu comprovar a existência dos empréstimos. Em outra verificação, envolvendo 30 supostos clientes, não foram identificadas movimentações financeiras que demonstrassem a efetiva liberação dos recursos.

Esses elementos foram considerados pelos investigadores na apuração de possíveis irregularidades na formação e na negociação das carteiras de crédito entre as instituições.

Quem são os 15 indiciados no caso Master e BRB

Além de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, a lista de indiciados apresentada pela Polícia Federal inclui:

  • Augusto Ferreira Lima;
  • Angelo Antônio Ribeiro da Silva;
  • Luiz Antonio Bull;
  • Alberto Félix de Oliveira Neto;
  • Allan da Silva Machado;
  • Henrique Souza e Silva Peretto;
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia;
  • Daniel Lopes Monteiro;
  • Dario Oswaldo Garcia Junior;
  • Luana de Andrade Ribeiro;
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz;
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira;
  • José Maria Correa Dias Junior.

Os quatro últimos nomes citados são integrantes da diretoria colegiada do BRB e foram indiciados por suspeita de gestão fraudulenta, segundo o relatório.

A investigação busca esclarecer a responsabilidade de cada envolvido nas operações financeiras e verificar como as transações foram autorizadas e executadas.

Investigação continua sob análise do STF

O relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal reúne os resultados de parte das diligências realizadas pela Polícia Federal. Os investigadores ainda apuram a possível participação de outros funcionários e a ocorrência de crimes adicionais.

O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial de que existem elementos para atribuir suspeitas de crimes aos investigados. A medida, entretanto, não equivale a uma denúncia formal do Ministério Público nem a uma condenação judicial.

A responsabilização criminal dos envolvidos dependerá das etapas seguintes do processo e da análise das provas pelas autoridades competentes.

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