Segunda fase da Operação Gatekeeper cumpriu mandados em Manaus e Coari, bloqueou até R$ 31 milhões e apreendeu veículos ligados à investigação.
A Polícia Federal (PF) prendeu duas pessoas nesta quinta-feira (29), durante a segunda fase da Operação Gatekeeper, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, para enviar drogas a outros estados. Segundo a investigação, o grupo também recorria a casas de apostas on-line, conhecidas como bets, fintechs e empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas.
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Além das prisões, os agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, no interior do Amazonas. A Justiça Federal determinou ainda o sequestro de oito veículos, o bloqueio de até R$ 31 milhões em contas dos investigados e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de 15 pessoas físicas e jurídicas. Os nomes dos suspeitos presos não foram divulgados.
Operação Gatekeeper investiga envio de drogas pelo aeroporto de Manaus
A segunda fase da operação busca identificar outros integrantes da organização criminosa, incluindo passageiros e intermediários envolvidos no transporte de entorpecentes. A investigação também avançou sobre o núcleo financeiro do grupo, responsável pela movimentação e ocultação dos recursos.
A primeira fase da Operação Gatekeeper foi deflagrada em março de 2025. Na ocasião, um servidor da Polícia Federal e outros três suspeitos foram presos. O policial envolvido no esquema foi posteriormente condenado pela Justiça.
Durante as apurações, a PF documentou pelo menos 13 remessas de drogas, que somaram aproximadamente 150 quilos de maconha enviados para fora do Amazonas.
Imagens de câmeras de segurança do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes mostraram que o servidor da própria Polícia Federal colocava mochilas com drogas na área restrita de embarque. Em seguida, ele realizava a troca dos volumes nos banheiros com passageiros contratados pela organização criminosa.
Lavagem de dinheiro via bets e fintechs no Amazonas
Nesta nova etapa, os investigadores identificaram outros passageiros e intermediários suspeitos de participar das viagens utilizadas para o transporte de drogas. O trabalho também concentrou esforços na estrutura financeira da organização.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo movimentou dezenas de milhões de reais sem comprovação de renda compatível com os valores. Entre os mecanismos utilizados estavam contas em fintechs, plataformas de apostas on-line, transferências entre contas de mesma titularidade, saques em dinheiro e empresas de fachada.
Segundo as apurações, os recursos eram posteriormente convertidos na compra de veículos de luxo, uma estratégia que, conforme a investigação, ajudava a ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Movimentações continuaram após prisões em 2025
Um dos pontos destacados pela PF é que o fluxo financeiro investigado permaneceu ativo mesmo após as prisões realizadas na primeira fase da operação.
As movimentações suspeitas ocorreram entre agosto de 2025 e março de 2026, indicando, segundo a investigação, a continuidade das atividades financeiras atribuídas ao grupo após a primeira ofensiva policial.
O bloqueio de até R$ 31 milhões e o sequestro dos veículos fazem parte das medidas autorizadas pela Justiça Federal para atingir o patrimônio relacionado ao esquema investigado.
Quais crimes são investigados pela Polícia Federal?
Os suspeitos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação também considera agravantes relacionados ao transporte interestadual de entorpecentes e ao envolvimento de agente público.
Somadas, as penas previstas para os crimes investigados podem ultrapassar 30 anos de reclusão, conforme o enquadramento jurídico de cada conduta.
As medidas desta segunda fase fazem parte do esforço da Polícia Federal para identificar os envolvidos no esquema, esclarecer a movimentação dos recursos e interromper as atividades da organização criminosa.
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