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Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado e impõem derrota a Trump

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Partido conquista o controle da Câmara e do Senado para o próximo biênio; Trump afirma aceitar o resultado e sinaliza uso de vetos nas negociações com a oposição.

As eleições nos EUA garantiram ao Partido Democrata a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, conforme os resultados divulgados na madrugada desta quarta-feira (4). A votação de meio de mandato, realizada na terça-feira (3), representa uma derrota política para o presidente Donald Trump e encerra o controle republicano sobre as duas casas do Congresso.

A nova composição fortalece a oposição para os dois últimos anos do mandato presidencial, a partir da posse dos parlamentares em janeiro de 2027. Com maioria nas duas casas, os democratas terão mais condições de influenciar votações, fiscalizar o Executivo e dificultar o avanço de propostas do governo.

Eleições nos EUA mudam a composição do Congresso

No balanço parcial informado durante a madrugada, o bloco democrata somava 54 cadeiras no Senado, enquanto os republicanos tinham 44. Outras duas vagas permaneciam sem definição. A contagem democrata inclui dois senadores independentes alinhados à bancada do partido.

Os democratas venceram 20 das disputas pelo Senado contabilizadas naquele momento, incluindo sete cadeiras anteriormente controladas pelos republicanos. Com isso, ultrapassaram os 51 assentos necessários para assegurar a maioria sem depender do voto de desempate do vice-presidente.

Na Câmara dos Representantes, o levantamento apresentado no mesmo recorte da apuração apontava 228 cadeiras democratas, 139 republicanas e 68 disputas ainda sem resultado. O partido havia conquistado 25 distritos anteriormente representados por republicanos, distribuídos por mais de dez estados, superando os 218 assentos necessários para controlar a Casa.

Esses números representam uma etapa da apuração e podem mudar à medida que as disputas restantes forem definidas, sem alterar a maioria já alcançada pelos democratas.

Trump afirma aceitar o resultado e buscar acordos

Durante a divulgação dos resultados, Trump afirmou ao jornal The New York Times que estava disposto a reconhecer o resultado das urnas e negociar com a oposição. A declaração ocorreu depois de o presidente ter condicionado, dias antes, o reconhecimento de uma eventual derrota à realização de eleições que considerasse “limpas”.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou o presidente. Sobre a relação com a futura maioria parlamentar, acrescentou: “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”.

A disposição anunciada para o diálogo veio acompanhada de sinais de resistência a propostas oposicionistas. Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, Trump publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, indicando que poderá recorrer à prerrogativa presidencial nas negociações com o Congresso.

Presidente sinaliza uso de vetos contra propostas

Antes da votação, Trump já havia antecipado como pretendia agir caso os democratas conquistassem as duas casas. Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, o presidente afirmou: “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”.

Na mesma entrevista, apresentou os vetos como um instrumento para pressionar os parlamentares a negociar. “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou.

O cenário coloca a negociação entre Executivo e Legislativo no centro da próxima etapa do governo. Embora mantenha o poder de veto, Trump precisará lidar com uma oposição fortalecida nas votações e na fiscalização de sua administração.

Democratas vencem disputas em estados conservadores

Entre os resultados de maior destaque no Senado estão as vitórias de James Talarico sobre Ken Paxton, no Texas, e de Annie Andrews sobre Darline Graham, na Carolina do Sul. Em Ohio, o ex-senador democrata Sherrod Brown derrotou o republicano Jon Husted.

Trump havia apoiado Paxton, procurador-geral do Texas que enfrentou controvérsias e escândalos, na disputa interna contra o senador John Cornyn. Durante as primárias, Cornyn e lideranças republicanas nacionais alertaram sobre as dificuldades que Paxton poderia enfrentar na eleição geral, os custos da campanha e o risco de perda da cadeira.

Na Carolina do Sul, Darline Graham recebeu o apoio presidencial após assumir, por nomeação, a vaga deixada pelo irmão, Lindsey Graham, que morreu em julho. Sua candidatura enfrentou questionamentos dentro do próprio partido sobre experiência e preparo para a disputa. Em Ohio, Trump também participou repetidamente de atividades de campanha em apoio a Husted.

Os democratas ainda conquistaram uma cadeira anteriormente republicana na Carolina do Norte e mantiveram assentos disputados na Geórgia e em New Hampshire. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins, frustrando uma das oportunidades de avanço consideradas pelos republicanos. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e sucederá Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar.

Também foram reeleitos os democratas Cory Booker, por Nova Jersey, Ed Markey, por Massachusetts, e John Hickenlooper, pelo Colorado. Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador democrata Dick Durbin.

Como funcionam as eleições de meio de mandato

As eleições legislativas americanas ocorrem a cada dois anos. Quando são realizadas na metade do mandato presidencial, recebem o nome de midterms, ou eleições de meio de mandato. Nessas votações, todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das vagas do Senado são renovados.

Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos. Em 2026, estiveram em disputa as 435 cadeiras da Câmara e 35 dos 100 assentos do Senado, definindo a composição do Legislativo que atuará na segunda metade do governo Trump.

Leia mais:
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