Queda ocorre desde o início do governo Javier Milei, enquanto indústria também registra retração e desemprego chega a 7,9%
A Argentina perdeu mais de 31 mil empresas e 245 mil empregos privados formais desde o início do governo de Javier Milei, em meio a uma desaceleração da indústria e ao avanço do desemprego. Ao mesmo tempo, o país registra uma forte redução da inflação, indicador apresentado pelo governo argentino como uma das principais conquistas de sua política econômica.
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De acordo com o Monitor Mensal de Empresas, elaborado pelo centro de pesquisas argentino Fundar, o país tinha 31.342 empresas a menos em junho de 2026 do que em novembro de 2023, período imediatamente anterior à posse de Milei. A redução representa 6,1% do total de empresas contabilizadas pela instituição.
Segundo a Fundar, a queda acumulada durante os primeiros 31 meses da atual gestão é comparável, em magnitude, à registrada durante o período da pandemia.
O levantamento utiliza dados da Superintendência de Riscos do Trabalho da Argentina e considera como empresa pessoas físicas ou jurídicas com pelo menos um empregado formal registrado.
Somente entre maio e junho deste ano, houve redução líquida de 709 empresas. Em relação a junho de 2025, o país tinha 16.386 empresas a menos, uma retração de 3,3%. A quantidade de companhias vinha apresentando queda mensal havia 17 meses consecutivos.
Dos 18 setores analisados pela Fundar, 14 registraram redução no número de empresas desde o início do atual governo.
Indústria também apresenta retração
A atividade industrial argentina também atravessa um período de dificuldades.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina, o Indec, indicam que a produção industrial manufatureira recuou 5% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
A utilização da capacidade instalada das fábricas ficou em 58,2% em julho, abaixo dos 58,4% registrados no mesmo período de 2025.
Entre os setores mais atingidos pela redução do número de empresas estão indústria manufatureira, transporte, armazenamento, hospedagem e gastronomia.
Neuquén aparece como uma das principais exceções ao cenário de retração empresarial, impulsionada principalmente pela exploração de petróleo e gás na formação de Vaca Muerta.
País perdeu 245 mil empregos privados formais
A redução do número de empresas também foi acompanhada por uma queda no emprego privado registrado.
Levantamento do Centro de Economia Política Argentina, o CEPA, aponta que, entre novembro de 2023 e junho de 2026, foram eliminados 245.664 empregos privados formais, equivalente a uma retração de 3,9%.
No mesmo período, foram registradas cerca de 169 mil novas inscrições no regime de monotributo, modalidade utilizada principalmente por trabalhadores autônomos.
Na avaliação do CEPA, parte dos empregos formais perdidos estaria sendo substituída por formas de trabalho com menor proteção social.
A taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, segundo dados oficiais do Indec, aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Queda da inflação contrasta com mercado de trabalho
Apesar da deterioração observada em parte do mercado de trabalho e da indústria, a Argentina conseguiu reduzir significativamente a inflação desde o início do governo Milei.
A desaceleração dos preços é um dos principais argumentos utilizados pelo governo para defender seu programa econômico, baseado em redução de despesas públicas, equilíbrio fiscal, reformas regulatórias e mudanças na política monetária.
Em agosto de 2026, a inflação mensal argentina ficou em 1,7%, segundo o Indec.
A combinação entre inflação mais baixa e dificuldades enfrentadas por setores produtivos tem alimentado o debate sobre os impactos do ajuste econômico.
Críticos da política econômica argumentam que o controle dos preços veio acompanhado de redução do consumo, perda de empregos formais e pressão sobre setores industriais. O governo, por outro lado, sustenta que as medidas eram necessárias para estabilizar a economia e criar condições para uma recuperação sustentável.
Milei defende resultados da economia
Javier Milei tem rejeitado avaliações de que a economia argentina esteja enfrentando um processo generalizado de deterioração.
Em discursos recentes, o presidente destacou o desempenho das exportações, a desaceleração da inflação, o equilíbrio fiscal e os indicadores de atividade econômica como sinais de recuperação.
Durante a conferência “Argentina: Perspectivas Econômicas e Políticas”, promovida pelo Council of the Americas em agosto, Milei voltou a defender as reformas econômicas implementadas desde o início de seu mandato. O evento e o pronunciamento constam na agenda oficial da Casa Rosada.
O governo também aponta setores como energia, mineração, agroindústria e serviços profissionais como motores para uma nova etapa de crescimento da economia argentina.
Dados oficiais mostram, por exemplo, que as exportações cresceram em julho na comparação com o mesmo período do ano anterior, beneficiadas tanto pelo aumento das quantidades quanto dos preços dos produtos vendidos ao exterior.
O cenário argentino, portanto, combina avanços no combate à inflação e nas contas públicas com dificuldades persistentes no emprego formal, no número de empresas e em segmentos da indústria.
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