Mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência da ex-candidata ao governo do Amazonas, em Manaus. Equipamentos serão periciados para identificar a participação dos investigados na divulgação e manipulação de imagens da adolescente.
A investigação sobre a divulgação de imagens envolvendo a filha adolescente do governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), teve novos desdobramentos nesta sexta-feira (6). A Polícia Civil do Amazonas apreendeu o celular e o computador pessoal da ex-candidata ao governo do estado, professora Maria do Carmo (PL), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência, localizada no bairro Vieiralves, na zona Centro-Sul de Manaus.
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A operação foi realizada após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revogar a liminar que suspendia temporariamente a ordem judicial. A decisão, assinada pelo desembargador Paulo Feitoza, restabeleceu a autorização para que os policiais realizassem as buscas no endereço da investigada.
Polícia apreende equipamentos de Maria do Carmo para análise
Maria do Carmo não estava na residência quando os policiais chegaram para cumprir o mandado. Ela compareceu ao imóvel por volta das 6h18, quando as diligências já estavam em andamento.
A operação foi conduzida pelo delegado Marcelo Martins, que assumiu a investigação por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil. Segundo ele, houve resistência durante o cumprimento da ordem judicial, principalmente em relação a questionamentos técnicos e jurídicos sobre o alcance da autorização concedida pela Justiça.
Apesar das discussões, a equipe conseguiu realizar a apreensão dos equipamentos eletrônicos. O material será submetido à extração de dados e análise técnica para verificar possíveis elementos que ajudem a esclarecer a participação da ex-candidata e dos demais investigados.
Em declaração, o delegado explicou que a investigação já identificou a ocorrência de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A próxima etapa, segundo ele, é aprofundar a apuração sobre o grau de envolvimento de cada pessoa no caso.
Delegado classifica divulgação de imagens como conduta cruel
Ao comentar a investigação, Marcelo Martins destacou a gravidade da divulgação e da possível manipulação de imagens envolvendo a adolescente. O delegado classificou a conduta como uma violação à intimidade e à dignidade da vítima.
“Trata-se da ação de uma mente perversa, que utilizou as redes sociais para violar a intimidade e a dignidade de uma adolescente com objetivos escusos”, declarou.
O inquérito busca esclarecer como o material foi produzido, manipulado e compartilhado nas redes sociais, além de identificar a participação individual dos envolvidos. A investigação apura suspeitas de crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Entenda a investigação envolvendo a filha de Omar Aziz
O caso ganhou repercussão depois que Omar Aziz comentou os ataques pessoais envolvendo sua filha adolescente durante o primeiro discurso após a vitória nas eleições para o Governo do Amazonas. Na ocasião, o governador eleito afirmou que acionaria a Justiça para responsabilizar os envolvidos.
As primeiras diligências ocorreram em 29 de outubro, quando policiais realizaram buscas em endereços supostamente relacionados à campanha de Maria do Carmo. Naquele momento, a ex-candidata negou ter sido alvo da operação.
No dia seguinte, uma liminar suspendeu temporariamente o cumprimento do mandado de busca e apreensão em relação a Maria do Carmo. A defesa argumentou que ela havia comparecido espontaneamente à delegacia e se colocado à disposição das autoridades, inclusive oferecendo a entrega voluntária de seus aparelhos eletrônicos.
Posteriormente, ao analisar o caso, o desembargador Paulo Feitoza revogou a liminar. Entre os fundamentos da decisão estava a necessidade de preservar provas digitais que poderiam ser apagadas ou modificadas, comprometendo o andamento das investigações.
Com a decisão judicial, a Polícia Civil retomou o cumprimento da ordem de busca e apreensão nesta sexta-feira (6). O material recolhido será periciado para auxiliar na identificação dos responsáveis e esclarecer o nível de participação de cada investigado.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
A assessoria jurídica de Professora Maria do Carmo enviou à imprensa uma nota em que manifesta indignação com a operação policial e questiona a condução do cumprimento do mandado.
Veja a íntegra da nota da defesa:
A assessoria jurídica da Professora Maria do Carmo (PL) manifesta indignação com a operação de busca e apreensão realizada nesta sexta-feira, 6/10, na residência da ex-candidata ao Governo do Amazonas. Apesar de ser esperada, a defesa denuncia a condução dos procedimentos, que evidenciam uma escalada de perseguição política e levanta graves questionamentos sobre abuso de autoridade.
Os advogados apontam que garantias legais e prerrogativas da advocacia não foram devidamente respeitadas durante a diligência. A defesa considera inaceitável que direitos fundamentais sejam colocados em segundo plano e afirma que não aceitará qualquer tentativa de constrangimento ou intimidação por meio de procedimentos que desrespeitem a legislação.
Desde o resultado das eleições, a ex-candidata foi alvo de acusações e tem tido sua imagem exposta de forma deliberada por conta de uma denúncia envolvendo a filha do governador eleito Omar Aziz (PSD), fato que já foi publicamente negado. Chama atenção que um processo que corre em segredo de justiça, a todo momento tem notícias veiculadas pela imprensa local com vazamento de informações.
No todo decorrer da investigação, a Professora Maria sempre se colocou à disposição para colaborar com a justiça e apontar os verdadeiros responsáveis por qualquer atitude que tenha ferido os direitos das partes envolvidas. O que não se pode aceitar é o uso politiqueiro da situação para ferir a honra da ex-candidata.
É fundamental destacar que o cumprimento de uma ordem judicial não concede às autoridades autorização para ultrapassar os limites da lei.
A Professora Maria do Carmo permanece tranquila, confiante em sua inocência e convicta de que a verdade prevalecerá. Em vídeo publicado na última quinta, 5, a ex-candidata já havia afirmado que aguardava a diligência e estava preparada para o que viesse.
“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, afirmou
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