O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (6) a publicidade do laudo da perícia médica realizada pela Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento técnico conclui que, embora o ex-presidente apresente condições clínicas que demandam cuidados específicos e adaptações no ambiente prisional, não há necessidade de transferência para o regime domiciliar, mantendo-se a custódia na Papuda.
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O exame clínico foi solicitado pelo magistrado em janeiro, período que coincidiu com a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Complexo da Papuda. A mudança de local buscou oferecer uma estrutura mais ampla e devidamente adequada às necessidades terapêuticas e de mobilidade do ex-mandatário.
Diagnósticos apontados pela perícia médica oficial
De acordo com o laudo assinado pela junta médica da Polícia Federal, o quadro clínico do ex-presidente é composto por múltiplas patologias crônicas. Entre os diagnósticos confirmados estão a hipertensão arterial sistêmica, aterosclerose, doença do refluxo gastroesofágico e a síndrome da apneia obstrutiva do sono em grau grave. O documento também cita obesidade clínica, queratose actínica e a presença de aderências intra-abdominais, decorrentes de procedimentos cirúrgicos anteriores.
Apesar das queixas apresentadas pela defesa, que frequentemente mencionava crises de soluços e fragilidade física para pleitear a prisão domiciliar, os peritos não confirmaram algumas suspeitas levantadas. O laudo descarta, no momento, quadros de pneumonia bacteriana, anemia ferropriva, depressão ou perda acelerada de massa muscular. Contudo, os médicos recomendaram uma investigação neurológica complementar para um diagnóstico mais preciso sobre a estabilidade do paciente.
Riscos à saúde e recomendações de monitoramento
A equipe de especialistas alertou para riscos de complicações graves caso as medidas de controle não sejam rigorosamente seguidas. A combinação da apneia do sono com as patologias cardiovasculares eleva a probabilidade de eventos críticos, como infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e arritmias cardíacas.
Além do monitoramento cardiovascular, a junta destacou o risco elevado de quedas, que podem resultar em novos traumatismos cranianos. Essa vulnerabilidade está associada à instabilidade postural e ao efeito colateral de medicamentos que atuam no sistema nervoso central. Para mitigar esses perigos, foram sugeridas intervenções como a instalação de dispositivos de emergência e o acompanhamento constante em áreas comuns do batalhão.
Estrutura da cela e rotina no 19º Batalhão
Para garantir a permanência do ex-presidente no sistema prisional, o alojamento no Complexo da Papuda passou por modificações significativas. A cela adaptada conta agora com barras de apoio em locais estratégicos e grades de proteção no leito, visando evitar acidentes noturnos. O ambiente também dispõe de uma área externa dedicada à prática de exercícios físicos e fisioterapia, elementos considerados essenciais pelos peritos para a manutenção do equilíbrio e da força muscular.
No que tange à alimentação, o laudo e os relatos internos indicam uma particularidade na rotina do ex-mandatário. Desde sua detenção em novembro, Bolsonaro tem recusado as refeições fornecidas pela administração prisional. O ex-presidente consome exclusivamente alimentos preparados e entregues por sua família, sob a coordenação da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A junta médica reforçou a necessidade de que essa dieta, ainda que externa, siga prescrições nutricionais rigorosas para evitar descompensações metabólicas.
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