Estudo aponta que, para liderar a bioeconomia na Amazônia, a capital precisa renovar a Zona Franca e investir em logística e conectividade.
A consolidação de uma economia sustentável em Manaus depende diretamente da superação de desafios históricos de infraestrutura e da atualização de seu modelo industrial. É o que revela o relatório Private Sector Roadmap for a Sustainable Amazônia, elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O documento reconhece a posição estratégica da capital amazonense, mas alerta para obstáculos que, se não forem solucionados, podem comprometer a competitividade da região frente às novas demandas globais.
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Embora a Zona Franca de Manaus (ZFM) continue sendo o principal motor financeiro do estado, o estudo indica que o modelo atual, focado majoritariamente na indústria eletroeletrônica, necessita de uma revisão estratégica. A recomendação dos especialistas é clara: para garantir o futuro da economia sustentável em Manaus, é preciso diversificar a produção. O caminho sugerido envolve aproveitar o vasto potencial da biodiversidade local para atrair investimentos em setores de alto valor agregado, como biotecnologia, indústria farmacêutica e de cosméticos.
Essa transição, no entanto, exige mais do que vontade política. Será essencial fortalecer a base de conhecimento local, apoiando universidades e centros de pesquisa que tenham a capacidade de transformar a ciência da floresta em negócios verdes e rentáveis.
Desafios para a economia sustentável em Manaus
O levantamento do BID detalha os pontos críticos que precisam de atenção imediata para que a capital não perca relevância econômica. Confira os principais gargalos apontados:
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Renovação da Zona Franca: O modelo industrial precisa ser atualizado para abraçar cadeias produtivas ligadas à bioeconomia e à inovação tecnológica, reduzindo a dependência exclusiva do polo eletroeletrônico.
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Logística e Infraestrutura: A forte dependência do transporte fluvial e aéreo eleva os custos operacionais e dificulta o escoamento de produtos. Além disso, a precariedade na conectividade digital é vista como um grande entrave para a modernização dos negócios.
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Matriz Energética: O relatório demonstra preocupação com o uso de termelétricas a diesel em comunidades isoladas. A solução passa pela ampliação de fontes renováveis e sistemas de energia descentralizados.
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Pesquisa e Inovação: Para se tornar um hub de biotecnologia, Manaus precisa investir pesado em capital intelectual, conectando a biodiversidade ao desenvolvimento de produtos sustentáveis através de suas instituições de ensino.
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Inclusão Social: A transição para uma economia verde deve priorizar a geração de empregos e a capacitação da mão de obra local, evitando que os lucros se concentrem apenas em grandes corporações.
Segundo os autores do estudo, Manaus possui todas as condições para liderar a transformação sustentável na Amazônia. Contudo, isso só será possível se houver um alinhamento eficiente entre investimentos privados e políticas públicas. Caso contrário, a Zona Franca corre o risco de ficar obsoleta diante das cadeias globais verdes.
Como resume o relatório, a cidade tem potencial, “mas precisa superar gargalos históricos de infraestrutura e apostar em inovação”.
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