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Europa lidera compra de armas no mundo em meio a tensões com a Rússia

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O cenário da segurança global passou por uma transformação drástica nos últimos cinco anos. De acordo com o relatório mais recente do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), a Europa triplicou suas importações de armas, tornando-se o principal destino global de equipamentos militares pela primeira vez desde a década de 1960. Esse movimento reflete a resposta direta das nações europeias ao aumento das tensões geopolíticas, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

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Entre 2021 e 2025, o fluxo internacional de armamentos cresceu cerca de 10%. Nesse contexto, o continente europeu foi responsável por 33% de todas as compras mundiais, um salto considerável em relação aos 12% registrados no período anterior (2016-2020). Embora os volumes atuais ainda não tenham atingido os picos da Guerra Fria, a velocidade do rearmamento sinaliza uma mudança profunda na percepção de ameaça na região.

Fatores que impulsionam o mercado de armas europeu

O crescimento exponencial nas aquisições europeias não se deve apenas ao suporte militar direto enviado à Ucrânia. Segundo especialistas do Sipri, a maioria dos países do continente iniciou processos robustos de modernização de suas capacidades de defesa. A Polônia surge como o exemplo mais emblemático dessa tendência. Localizada estrategicamente na fronteira com a Ucrânia e Belarus, o país registrou um aumento impressionante de 852% em suas importações, consolidando-se como o maior comprador europeu dentro da Otan.

Apesar dos discursos sobre autonomia estratégica e autossuficiência da União Europeia, os dados mostram que o bloco ainda depende fortemente de fornecedores externos. Apenas um quinto das transferências ocorreu entre países do próprio continente. A maior parte do suprimento europeu, cerca de 48%, teve como origem os Estados Unidos, evidenciando a hegemonia norte-americana no setor.

O domínio dos Estados Unidos e a queda das exportações russas

No panorama dos fornecedores, os Estados Unidos reforçaram sua posição de liderança absoluta. O país agora responde por 42% das exportações globais, um crescimento expressivo impulsionado por uma política externa que utiliza a venda de tecnologia militar como ferramenta diplomática e motor industrial. Enquanto os americanos avançam, a Rússia enfrenta um declínio acentuado. As vendas russas caíram 64%, resultado da necessidade de priorizar o consumo interno no conflito ucraniano e das pressões internacionais que desencorajam nações terceiras de manterem contratos com Moscou.

A Alemanha também se destacou no ranking global, superando a China para se tornar o quarto maior exportador de armas do mundo. Curiosamente, a indústria alemã mantém um perfil voltado para fora do continente, destinando mais da metade de sua produção para países como Egito e Israel, além do suporte contínuo à Ucrânia.

Dinâmicas regionais nas Américas e no Oriente Médio

Nas Américas, o volume de importações subiu 12%. Os Estados Unidos lideram as compras na região com 52%, seguidos pelo Brasil, que detém 21% do total regional. O Brasil ocupa uma posição mista no mercado, sendo o 24º maior fornecedor global (com Portugal como principal cliente) e o 25º maior importador, abastecido majoritariamente por tecnologia da França e da Suécia.

Já no Oriente Médio, embora as importações tenham caído 13%, a região ainda abriga três dos dez maiores compradores globais: Arábia Saudita, Catar e Kuwait. A instabilidade recente, intensificada por conflitos envolvendo o Irã e Israel, sugere que os números podem voltar a subir assim que as entregas de contratos pendentes forem concluídas. No caso de Israel, as importações subiram 12%, com forte dependência de componentes americanos e alemães para sustentar suas operações em múltiplas frentes.

A ascensão da produção doméstica na Ásia

Enquanto a Europa e o Oriente Médio compram, as potências asiáticas buscam independência. A China e a Índia têm investido pesado no desenvolvimento de tecnologias próprias para reduzir a dependência de fornecedores externos, especialmente da Rússia. Essa mudança fez com que as importações chinesas caíssem 72%, retirando o país do “top 10” de compradores pela primeira vez em décadas.

Mísseis nucleares DF-61 durante um desfile militar para marcar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial

Contudo, a expansão militar chinesa gera um efeito cascata em seus vizinhos. Países como Japão e Taiwan aumentaram suas aquisições em 76% e 54%, respectivamente, temendo as ambições territoriais de Pequim. Esse movimento reforça a tese de um mundo multipolar onde a segurança regional dita o ritmo dos investimentos em defesa.

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