A intensificação dos confrontos na fronteira entre Israel e o grupo xiita Hezbollah provocou uma emergência humanitária sem precedentes recentes. Segundo dados da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o conflito no Líbano forçou o deslocamento de 667 mil pessoas de suas residências em apenas sete dias. O volume de civis em fuga aumentou drasticamente, com registros de mais de 100 mil novos deslocados em um único dia, conforme monitoramento das plataformas oficiais do governo libanês.
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A magnitude da movimentação populacional acendeu alertas em órgãos internacionais. Representantes da ONU destacam que a velocidade e a escala desse processo podem configurar violações ao direito internacional humanitário, especialmente diante das ordens de evacuação em massa emitidas pelas forças israelenses.
Acusações de uso de substâncias químicas em áreas civis
Além do deslocamento populacional, o monitoramento de direitos humanos trouxe à tona denúncias graves sobre os métodos de combate utilizados. A organização Human Rights Watch acusou Israel de empregar fósforo branco em áreas residenciais na cidade de Yohmor, localizada no sul do país.
Embora o fósforo branco seja permitido militarmente para a criação de cortinas de fumaça ou iluminação de alvos, seu uso em perímetros urbanos é terminamente proibido. A substância é altamente tóxica e provoca queimaduras severas e incêndios de difícil controle. Questionadas sobre o episódio, autoridades de Israel afirmaram desconhecer as alegações da ONG e não confirmaram a utilização do composto em zonas civis.
O impacto das ordens de evacuação e o direito internacional
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos manifestou preocupação com as diretrizes de retirada emitidas para mais de 100 cidades e vilarejos. Para a organização, a abrangência dessas ordens dificulta o cumprimento por parte da população vulnerável, o que coloca em xeque a eficácia da medida como ferramenta de proteção.
O comunicado das Nações Unidas ressalta que o alcance das instruções de saída pode configurar deslocamento forçado. Atualmente, a recomendação de evacuação estende-se por quase toda a periferia sul de Beirute e pelo Vale do Bekaa. Estima-se que pelo menos 100 mil pessoas estejam alojadas em cerca de 469 centros de acolhimento improvisados pelo país.
A crise também afeta estrangeiros que residiam no território libanês. A Acnur calcula que 78 mil cidadãos sírios cruzaram a fronteira de volta ao seu país de origem na tentativa de escapar das hostilidades. No setor de saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou o fechamento de 43 centros de atenção primária e dois hospitais devido à insegurança nas zonas de conflito.
Posições militares e a origem da escalada no Líbano
As Forças de Defesa de Israel (FDI) sustentam que as ordens de evacuação são necessárias para mitigar danos colaterais durante operações contra a infraestrutura do Hezbollah. O governo israelense afirma manter o compromisso com a precisão dos ataques e justifica as incursões recentes como uma forma de impedir a recuperação militar do grupo xiita.
Por outro lado, o Hezbollah descreve suas ações como uma retaliação legítima. O grupo alega que as violações ao cessar-fogo estabelecido em novembro de 2024 partiram inicialmente de Israel. Nesta terça-feira, 10 de março, o grupo libanês realizou ataques contra a cidade de Khian, em solo israelense, classificando o ato como resposta aos bombardeios em Beirute e vilas vizinhas.
A fase atual deste embate está intrinsecamente ligada à guerra na Faixa Gaza. A escalada recente foi acentuada após a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o aumento dos lançamentos de foguetes do Hezbollah em solidariedade aos palestinos, o que resultou na quebra definitiva da estabilidade diplomática na região.
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