Mudança que torna o curso teórico online e aulas práticas facultativas via autoescola transforma o processo de habilitação no país.
O cenário para a obtenção da primeira habilitação no Brasil passa por uma transformação histórica e digital. Após o Governo Federal alterar as normas e tornar o uso de autoescolas facultativo em etapas cruciais do processo, o interesse dos futuros condutores explodiu. Dados recentes da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam que mais de 2,5 milhões de brasileiros já solicitaram a CNH sem autoescola nos moldes tradicionais, optando pelo novo formato que promete desburocratizar e baratear o acesso ao documento.
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A adesão massiva reflete a busca da população por alternativas mais econômicas e flexíveis. Segundo o levantamento oficial, quase 1 milhão de certificados do curso de formação de condutores já foram emitidos sob as novas diretrizes. Esse volume expressivo de certificações refere-se às antigas aulas teóricas presenciais, que agora migraram para o ambiente virtual através do aplicativo CNH do Brasil, uma evolução da Carteira Digital de Trânsito (CDT).
Como funciona o processo da CNH sem autoescola
A principal porta de entrada para quem deseja tirar a CNH sem autoescola é a tecnologia. O aplicativo oficial alcançou a marca de 40 milhões de usuários, consolidando-se como a ferramenta central dessa mudança. O processo de formação inicia-se com o curso teórico, que agora é totalmente gratuito e online. O material didático foi diversificado para atender diferentes perfis de aprendizado, estando disponível em formatos de vídeos, podcasts e apostilas digitais complementares.
Para garantir que o candidato esteja preparado, o sistema oferece a possibilidade de realizar simulados. Essa ferramenta permite testar os conhecimentos adquiridos exatamente nos moldes do que será cobrado na prova oficial do Departamento de Trânsito (Detran).
Após a conclusão e aprovação no conteúdo teórico via aplicativo, o candidato deve se dirigir ao Detran apenas para os procedimentos presenciais indispensáveis. Estes incluem a coleta de biometria, a fotografia oficial e o agendamento da prova teórica. O exame mantém o padrão de exigência: são 30 questões de múltipla escolha, sendo necessário acertar pelo menos 20 para a aprovação. Vale ressaltar que os exames médicos e psicológicos continuam sendo etapas obrigatórias e presenciais.
Aulas práticas com instrutores independentes
A etapa seguinte, condicionada à aprovação na teórica, traz outra mudança significativa para quem busca a CNH sem autoescola. O candidato agora possui duas opções claras: contratar uma autoescola tradicional ou optar por um instrutor autônomo credenciado.
Com a atualização da norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), instrutores de trânsito ganharam liberdade para atuar de forma independente, sem vínculo empregatício com os Centros de Formação de Condutores (CFCs). A Senatran aponta que o mercado já reagiu rapidamente a essa abertura, com mais de 54 mil instrutores obtendo o certificado para atuação autônoma.
Além da liberdade de escolha do profissional, a nova norma reduziu drasticamente a carga horária obrigatória desta etapa. O que antes exigia 20 horas de prática, agora requer apenas duas horas. Para facilitar ainda mais, o futuro motorista pode realizar essas aulas utilizando seu próprio veículo. No entanto, o carro deve atender a exigências legais estritas, como possuir todos os equipamentos obrigatórios em dia, manutenção comprovadamente adequada e documentação regularizada.
Mudanças na prova prática e renovação automática
O governo também implementou alterações visando reduzir a ansiedade e os custos no momento do exame prático. Foi decretado o fim da eliminação automática por erros considerados leves, como esquecer de acionar a seta, e a prova de rampa deixou de ser obrigatória. Uma novidade que impacta diretamente o bolso do cidadão é a regra de reprovação. Caso o candidato reprove uma vez na prova prática, ele terá o direito de refazer o exame sem a necessidade de pagar uma nova taxa.
Paralelamente às mudanças para a primeira habilitação, o Governo Federal anunciou a renovação automática da CNH para motoristas que mantiveram um bom comportamento no trânsito. A medida beneficia quem não cometeu infrações nos últimos 12 meses. De acordo com a Senatran, cerca de 370 mil brasileiros já foram contemplados. Desse total, 340 mil tiveram a renovação automática efetivada, enquanto 30 mil permissões para dirigir foram convertidas em CNH definitiva.
A decisão estabelece que condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) terão o documento atualizado diretamente no sistema após o vencimento, sem taxas ou exames presenciais, de forma 100% digital. Contudo, existem exceções importantes. Motoristas com 70 anos ou mais, ou aqueles com validade reduzida por recomendação médica devido a doenças progressivas, não entram nessa regra. Já os condutores a partir de 50 anos terão o benefício da renovação automática concedido apenas uma única vez.
Todas essas medidas, segundo o Governo Federal, têm como objetivo principal reduzir os custos de todo o processo de obtenção da CNH sem autoescola, democratizando o acesso. Entretanto, a redução da carga horária prática e o fim de certas exigências no exame geram debates acalorados entre especialistas sobre os possíveis impactos na segurança viária a longo prazo.
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