Pesquisa brasileira aponta que o medicamento, quando utilizado por longos períodos, pode prejudicar a absorção de nutrientes essenciais e afetar a imunidade.
O omeprazol, um dos medicamentos mais populares no Brasil para o tratamento de gastrite e refluxo, foi alvo de um novo alerta emitido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Um estudo recente, apoiado pela Fapesp e publicado na revista científica ACS Omega, revelou que o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (classe de remédios que inclui o omeprazol, pantoprazol e esomeprazol) pode interferir seriamente na absorção de minerais importantes pelo organismo.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
Os cientistas observaram que a utilização contínua destes fármacos pode levar a quadros de anemia e comprometer a saúde óssea. O estudo, realizado com ratos, analisou os efeitos da medicação em períodos de 10, 30 e 60 dias. Ao final das análises, constatou-se que o medicamento alterou a distribuição de nutrientes vitais, acumulando-os no estômago e gerando desequilíbrios em órgãos como o fígado e o baço.
Impactos do omeprazol na saúde óssea e anemia
Um dos achados mais preocupantes da pesquisa foi a elevação dos níveis de cálcio na corrente sanguínea. Segundo Angerson Nogueira do Nascimento, professor da Unifesp e coordenador do estudo, isso sugere que o corpo pode estar retirando cálcio dos ossos para equilibrar o organismo, o que eleva o risco futuro de osteoporose e fraturas.
Além da questão óssea, os exames apontaram uma queda significativa nos níveis de ferro, o que está diretamente ligado ao desenvolvimento de anemia. Também foram registradas alterações em outros minerais essenciais para o funcionamento neuromuscular e cardiovascular, como magnésio, zinco, cobre e potássio. O sistema imunológico dos animais também apresentou mudanças nos parâmetros das células de defesa.
A importância do acompanhamento médico
Embora a Anvisa permita a venda de omeprazol sem receita para tratamentos curtos de até 14 dias, o uso indiscriminado e sem orientação preocupa os especialistas. A facilidade de acesso pode estimular a automedicação por meses ou anos, mascarando sintomas e agravando a deficiência nutricional.
Os pesquisadores reforçam que não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz quando bem indicado, mas sim de alertar para a necessidade de uso racional. Para pacientes que necessitam do tratamento a longo prazo, o acompanhamento médico rigoroso é indispensável para monitorar possíveis carências e avaliar a necessidade de suplementação.
Leia mais:
Ministério da Saúde decide não incluir vacina herpes-zóster no SUS após análise de custos
Anvisa libera uso do Lenacapavir como injeção semestral contra o HIV
Brasil gasta mais com importação de canetas emagrecedoras do que com celulares
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

