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Ministério da Saúde decide não incluir vacina herpes-zóster no SUS após análise de custos

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Decisão da Conitec aponta que o alto valor do imunizante impactaria o orçamento da saúde pública, apesar da comprovada eficácia da vacina herpes-zóster na prevenção da doença.

O Ministério da Saúde oficializou que o Sistema Único de Saúde (SUS) não irá disponibilizar a vacina herpes-zóster para a população neste momento. A decisão foi tomada com base em um relatório técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O órgão, responsável por avaliar a viabilidade de novos tratamentos e medicamentos na rede pública, considerou que o imunizante possui um custo muito elevado quando comparado ao impacto orçamentário que sua adoção causaria aos cofres públicos.

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A vacina herpes-zóster, conhecida popularmente como vacina contra o cobreiro, é recomendada prioritariamente para idosos acima de 80 anos e pacientes imunocomprometidos. No entanto, a análise da Conitec ponderou evidências científicas e a relação de custo-efetividade antes de emitir o parecer desfavorável à incorporação. Atualmente, a única forma de acesso ao imunizante é através da rede privada, onde o preço médio por dose gira em torno de R$ 700. Como o esquema vacinal completo exige duas aplicações, o custo total para o paciente pode chegar a R$ 1.400.

Avanços tecnológicos e eficácia da vacina herpes-zóster recombinante

O imunizante disponível no Brasil é do tipo recombinante adjuvado, considerado uma evolução significativa em comparação às versões anteriores. Diferente da vacina antiga, que utilizava o vírus vivo atenuado, a nova vacina herpes-zóster não usa o vírus inteiro em sua composição. Essa tecnologia garante uma proteção mais duradoura e uma eficácia superior.

Especialistas da área médica reforçam a importância dessa evolução. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destacou que o novo imunizante representa um enorme salto científico. Segundo ele, a versão anterior oferecia uma eficácia entre 50% e 60%, com proteção que durava menos de cinco anos.

Já a nova vacina apresenta resultados muito mais robustos. Os estudos apontam uma eficácia em torno de 90%, independentemente da idade do paciente, funcionando tanto em idosos quanto em indivíduos muito idosos. Por conta desses dados positivos, diversos países optaram por introduzir o imunizante em seus calendários oficiais de vacinação. O Brasil, inclusive, participou dos estudos clínicos dessa vacina inativada há uma década, o que ajudou a mudar o entendimento sobre o controle da enfermidade globalmente.

Impacto bilionário no orçamento público

Apesar da eficácia comprovada, a barreira financeira continua sendo o principal obstáculo. O Ministério da Saúde informou que, segundo as estimativas atuais, a incorporação da vacina herpes-zóster geraria um impacto orçamentário superior a R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Para efeito de comparação, a pasta destacou que todos os medicamentos distribuídos pelo programa Farmácia Popular custaram cerca de R$ 4,2 bilhões em todo o ano passado.

A discussão sobre a introdução do imunizante no Programa Nacional de Imunizações (PNI) envolve uma complexa hierarquização de prioridades. O Brasil enfrenta desafios urgentes com outras doenças, necessitando de recursos para vacinas contra a dengue, bronquiolite (vírus sincicial respiratório), vacinas pneumocócicas e novas fórmulas contra o HPV.

Ainda assim, o governo federal não fechou as portas definitivamente. O Ministério da Saúde afirmou ter interesse na incorporação e que seguirá aberto a negociações com o laboratório fabricante, buscando um preço que seja compatível com a disponibilidade orçamentária do país. Caso haja uma redução nos valores, a estratégia seria eleger grupos prioritários, como faixas etárias acima de 70 ou 80 anos, para iniciar a imunização.

Entenda o que é o herpes-zóster e como prevenir

O herpes-zóster é uma doença dermatológica causada pela reativação do Vírus Varicela-Zoster (VVZ), o mesmo agente causador da catapora. Após a infecção inicial, geralmente na infância, o vírus permanece “adormecido” no sistema nervoso durante toda a vida. Ele pode ser reativado na idade adulta, especialmente em pessoas com baixa imunidade, portadores de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, câncer, Aids ou pacientes transplantados.

Os sintomas iniciais incluem dores nos nervos, formigamento, sensação de agulhadas, ardor, coceira local, febre e mal-estar. Posteriormente, surgem lesões na pele em forma de vesículas. O tratamento precoce com antivirais é fundamental para diminuir a intensidade das dores, conhecidas como neuralgia pós-herpética, que podem ser severas em pessoas acima de 40 anos.

Além da vacina herpes-zóster, as medidas de prevenção incluem a higiene constante das mãos após tocar nas lesões e o isolamento de pacientes com bolhas ativas para evitar a transmissão do vírus para quem nunca teve catapora.

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