Em um movimento que sinaliza o fim definitivo da era de relativa tranquilidade pós-Guerra Fria, os líderes das Forças Armadas da Alemanha e do Reino Unido manifestaram-se conjuntamente em favor de um amplo rearmamento europeu. Através de um artigo publicado neste domingo, o general alemão Carsten Breuer e o marechal britânico Richard Knighton afirmaram que a Europa precisa confrontar verdades desconfortáveis sobre sua segurança diante das crescentes ameaças russas. A declaração ocorre no encerramento da 62ª Conferência de Segurança de Munique, onde a reestruturação das estratégias de defesa dominou as discussões.
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Segundo os comandantes, os dividendos da paz que permitiram a redução de gastos militares nas últimas décadas não são mais compatíveis com a realidade atual. A análise militar aponta que Moscou reorganizou suas forças de maneira decisiva para o Ocidente, aumentando o risco de um conflito direto com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Para os líderes, a demonstração de força e união é a única forma de evitar que a percepção de fraqueza encoraje novas agressões por parte do Kremlin além das fronteiras ucranianas.
Estratégia de defesa e guerra híbrida
A renovação das estratégias de segurança regional na Europa não se limita apenas ao reforço de tropas e blindados, mas também ao combate à chamada guerra híbrida. Esse modelo de conflito envolve atos de sabotagem, ataques cibernéticos e campanhas de desinformação coordenadas para desestabilizar as democracias ocidentais. A União Europeia sinalizou a intenção de injetar aproximadamente 150 bilhões de euros para fortalecer sua indústria de defesa, buscando criar uma infraestrutura resiliente e tecnologicamente avançada para responder a essas ameaças invisíveis.
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, tem sido um dos principais defensores dessa mudança de postura, prevendo que a Alemanha terá as Forças Armadas mais potentes do continente. Essa transformação é visível no orçamento de defesa recorde destinado pelo governo alemão, que ultrapassa os 108 bilhões de euros. Pela primeira vez, a indústria alemã está produzindo milhares de drones de combate em parceria com a Ucrânia, demonstrando que a prontidão militar agora é acompanhada por uma produção industrial em larga escala.
Cooperação entre Reino Unido e União Europeia
Mesmo após o distanciamento político provocado pelo Brexit, o setor de defesa tem servido como uma ponte para reaproximar Londres e Bruxelas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que o futuro das duas potências está mais interligado do que nunca em matéria de segurança. O rearmamento europeu é visto por ambas as partes como um pilar de dissuasão nuclear e convencional, essencial para manter a paz através do equilíbrio de poderio militar.
Além do investimento bélico, a expansão da União Europeia para o Leste é apontada por diplomatas como um antídoto ao imperialismo russo. Candidatos como a Ucrânia e outros nove países buscam abrigo na esfera de influência ocidental, o que exige um bloco militarmente robusto e politicamente coeso. O cenário indica que 2026 será o ano em que a Europa abandonará definitivamente a contenção militar para assumir um papel de força ativa no tabuleiro global.
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