O Fundo Clima, principal instrumento de financiamento da transformação ecológica no Brasil, mobilizou R$ 52,4 bilhões desde 2023 para apoiar projetos voltados à transição energética, indústria verde, desenvolvimento urbano resiliente, mobilidade sustentável, proteção de florestas nativas, recursos hídricos e inovação ambiental.
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Apenas em 2025, o mecanismo alavancou R$ 34,6 bilhões em investimentos públicos e privados, a partir de R$ 12,5 bilhões aprovados em projetos pelo governo federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O resultado evidencia a capacidade do fundo de combinar recursos públicos e privados em grande escala para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) é operado pelo BNDES e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), responsável pela condução do Comitê Gestor do mecanismo.
Orçamento do Fundo Clima bate recorde e chegará a R$ 27 bilhões em 2026
Em 2025, o Fundo Clima registrou orçamento público recorde de R$ 14 bilhões, um crescimento de 34% em relação a 2024. O aumento representa uma expansão significativa quando comparado ao patamar médio de R$ 400 milhões anuais registrados entre 2009, ano de criação do fundo, e 2023.
Para 2026, o orçamento previsto é ainda maior: R$ 27 bilhões, o maior da história do mecanismo, reforçando a prioridade dada pelo governo federal às políticas de enfrentamento da crise climática.
Além do aumento de recursos, também houve avanço na aprovação de novos projetos. O volume aprovado chegou a R$ 12,5 bilhões em 2025, crescimento de 22% em relação a 2024, quando foram aprovados R$ 10,2 bilhões.
Os contratos assinados também cresceram, passando de R$ 6,1 bilhões em 2024 para R$ 8,9 bilhões em 2025, aumento de 45%. Já os desembolsos efetivos — pagamentos realizados para execução dos projetos — tiveram expansão ainda mais expressiva, com crescimento de 518%, passando de 1.097 para 6.780 operações.
Segundo o governo federal, os números indicam maior engajamento do setor privado em iniciativas voltadas à transformação ecológica, além da capacidade operacional do fundo de aplicar os recursos disponíveis.
Projetos financiados evitam emissão de 7,5 milhões de toneladas de CO₂
Os dados foram apresentados durante a 38ª reunião do Comitê Gestor do Fundo Clima, realizada na quinta-feira (12). O encontro também aprovou o Plano Anual de Aplicação de Recursos (PAAR) para 2026, alinhado às diretrizes do Plano Clima, que orientará as políticas de enfrentamento às mudanças climáticas no Brasil até 2035.
De acordo com o governo, os projetos apoiados em 2025 deverão evitar ou remover 7,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, um aumento de 88% em relação aos projetos aprovados em 2024, responsáveis por evitar a emissão de 4 milhões de toneladas.
O crescimento supera o aumento de 18% no volume de recursos destinados à mitigação, indicando maior eficiência dos investimentos realizados pelo fundo.
Fundo Clima amplia investimentos em florestas e adaptação climática
O fundo opera atualmente em seis modalidades de financiamento:
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Transição energética
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Indústria verde
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Desenvolvimento urbano resiliente
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Logística e mobilidade sustentáveis
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Florestas nativas e recursos hídricos
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Serviços e inovação verdes
Em 2025, o Comitê Gestor recomendou a ampliação do financiamento para projetos florestais e ações de adaptação climática, além da expansão das operações nas regiões Norte e Nordeste.
O volume de recursos para projetos florestais teve crescimento expressivo, passando de R$ 105 milhões em 2024 para R$ 1,4 bilhão em 2025, aumento de 13 vezes.
Nos projetos de adaptação às mudanças climáticas, os investimentos passaram de R$ 547 milhões para R$ 2,4 bilhões, crescimento de mais de quatro vezes, representando 19% do orçamento total.
Também houve expansão regional. O valor aprovado para Norte e Nordeste aumentou de R$ 2,3 bilhões em 2024 para R$ 3,7 bilhões em 2025, crescimento de 60%, equivalente a 29% do orçamento.
Entre as áreas com maior volume de recursos no ano passado estão:
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Transição energética: R$ 5,8 bilhões
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Indústria verde: R$ 1,6 bilhão
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Desenvolvimento urbano resiliente: R$ 1,37 bilhão
Plano do Fundo Clima para 2026 prevê mais recursos para Norte e Nordeste
O PAAR 2026 estabelece metas para ampliar o impacto do Fundo Clima nos próximos anos.
Entre os principais objetivos estão:
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Destinar 25% do orçamento às regiões Norte e Nordeste
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Aplicar 20% dos recursos em projetos de adaptação climática
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Garantir que todos os financiamentos estejam alinhados às metas de mitigação ou adaptação previstas no Plano Clima
O plano também prevê a aplicação piloto da Taxonomia Sustentável Brasileira, além da inclusão de setores que poderão participar do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) entre os elegíveis para financiamento.
Outra novidade é a exigência de aderência a princípios de justiça climática e combate ao racismo ambiental, conforme a Resolução CONAMA nº 511/2025.
Novas áreas de investimento incluem economia azul e gestão de desastres
As finalidades de aplicação dos recursos do fundo foram atualizadas com base nas 1.051 ações previstas no Plano Clima.
Entre as novas áreas elegíveis para financiamento estão:
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sistemas estaduais e municipais de gestão e redução de riscos de desastres
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tecnologias e processos industriais livres de combustíveis fósseis
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beneficiamento de minerais críticos e estratégicos
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logística ferroviária sustentável
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projetos de economia azul voltados à conservação de ecossistemas costeiros e marinhos
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tecnologias sociais de captação e conservação de água
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adaptação climática de infraestruturas de transporte, incluindo sistemas de alerta para eventos extremos
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